Somente fui...

03.04.15

Se eu morrer amanhã!...

Não me levem flores

Quando tiveram uma vida inteira

Sim,inteira

Para o fazer acontecer.

Se eu morrer amanhã!...

Nao me chorem de saudades

Quando em vida,

Não me encontraram

Nem de o procurar ousaram.

Se eu morrer amanhã !...

Não se arrependam

De não terem dito tudo

Quando meus ouvidos eram carne

Não deste pó, que os consomem.

Se eu morrer amanhã!...

Não toquem em minhas mãos frias

Se o não pensaram

Quando estavam quentes.

Se eu morrer amanhã!...

Não me pensem

Como seria se estivesse vivo...

Quando em toda a vida

Nao o fizeram acontecer.

Se eu morrer amanhã!...

Não exortem sentimentos

Nem juras de amor eterno

Já não estou cá para o ouvir.

Se eu morrer amanhã...

Não diga nada

Nada que o não tenha sido

Nem me cite

Sem de mim o ter ouvido.

Se eu morrer amanhã!...

Jamais vera alguém igual a mim

Não fui mais em menos que outrem

Somente...

Sim, somente fui diferente.

 

MC

publicado por mcarvas às 15:47

Magilândia

23.12.13

Olhos tão esbugalhados

Brilham na hera festiva

Sejam crianças ou maduros

Tão breve a todos cativa.

Pendem luzes brilhantes

Que pulsam já, bem latentes

Tudo poêm dependente

Na hora de abrir presentes.

Paira a magia no ar

No balançar do pinjente

Quando esse dez reis de gente

Se solta , tão de repente

Em abraços bem ardentes!

É Natal

Dia intemporal.

A ti, meu filho

Quan longe

Tão ausente

Bem presente

Até sempre...

 

MC

publicado por mcarvas às 04:12

Sentir Difuso

21.11.13

Em tuas faces rosadas 
Vi enlevos de paixão 
Ternura, compreensão 
Rubores de exaltação. 

Vi todas as coisas tomadas 
E outras, em pousio formadas 
O mundo tao intenso 
Um sentir tao difuso 
Um corolário imenso 
Pensar-te o meu sustento. 

Por ti, guerras tomei 
E outras tantas que ousei 
Por ti, em mim me fiquei!... 

Dorme em paz
Contigo 
Minha alma jaz. 

MC

publicado por mcarvas às 06:33

Resumindo

16.08.13

Corria o ano de 2013,na entrada do verão

Quando um fusco mal passado

Saca injúrias deprimentes

E num rebate consciente

Bolsa com pompa a demissão.

Há muito tal pejo ausente

Lhe tinha toldado a razão...

Logo a swap desvairada

Já solta e desinibida

Melada por tanta Europa

E pela santa cornucópia

Eriçou franja e poupa

Que só de uma assentada

Na cadeira foi bolçada

Para gerar netos e tios

E muitos filhos gentios

Quejandos de pretendentes

E credores de ilusões

Prostraram-se em contemplação

Onde mais meter a mão.

O assanho foi total

Quan breve surgiu no largo

Excomungando o cargo

Afoito, o puto do taxi

Que para não fugir á praxis

Defeca suja demissão.

Envolto em irrevogável sinal

Com ténue ponto de luz

Pois esteva prenhe de pus

Eis que de uma so penada

Com anteparas esfarrapadas

Ainda o morto estava quente

Dá o dito,por não dito

Não vá surgir assaz pretendente

Solta um ar muito expedito

De um actor,deveras sabido

Embolsa outra comissão

Com rasgo de forte razão.

Foi tal o cacarejar

Que se ergueu no quintal

Que as galinhas exauridas

Em já forte pantanal

Largaram milho aos pombos

Para assentar o vendaval

Que lá dos lados d'além

Bem no centro de matusalém

Onde o vento vai e vem

Surge um odre em seu totem

Com sua crista emplumada

Um comensal,vulgo irado

Lá pá ilha dos patolas

Que sem sequer olhar pró lado

Numa sonata de mercados

Os volta a colar de novo

Bem no seio deste povo

Que de lorpa,já tem tudo

Pois de tão cego,surdo e mudo

Acantonou de gandaia

No extenso grude da praia

Esperando que á porta,Agosto

Que já solta cheiro a mostro

E muita estrela cadente

Lhe bolceie de presente

O que nunca alcançou

Nem por tal lutar ousou!

Tem em sorte o que lhe calhou

Coisa potrida e esbaforida

Que é pois bem mais que merecida.

 

MC

publicado por mcarvas às 23:13

LETRAS SÓ

03.04.13

À caneta prazenteira

Lhe confio a palavra

Que letra a letra, ela grava

Na folha a sementeira.

 

Vagueia então a distância

Nesta tão certa presença

Uma incerta aliança

Da frescura dessa ausência.

 

Seguimos por mundos distantes

Centros de luta bravia

Em todos, farta euforia

Cheios de feitos constantes.

 

Nesta doce alegoria

De palmilhar tanto mundo

Tão breve se fica mudo

E  medra a melancolia.

 

Dois seres dentro de um so

Numa contenda constante

Uma peleja incessante

Sem curta pausa, nem dó.

 

Trazer mundos ao mundo

Surreal contemplação

Que nasce da comunhão

Qua a caneta tem por fundo!...

 

Soltas, alcançam barreiras

Semeando a desordem

Mesmo que o não notem

Juntas vencem fronteiras!...

 

MC

 

publicado por mcarvas às 15:29

ESPERANTO

03.04.13

Que cachos tão engraçados

De um sublime traçado

Que compoêm teu penteado

Num singelo enlaçado.

 

As cores que os transportam

Eleiam coros divinos

Quam puros e cristalinos

Que mil invejas, te auguram.

 

As ruas, pasmam de espanto

Ao te sentirem passar

E teu passo de embalar

As faz sibilar em esperanto!

 

Tingem-se em frutos de mel 

Para olvidares teus caminho

E um aroma de azevinho

Dá-lhes um tom em pastel.

 

Alongam-se de mansinho

Ao te sentirem passar

Transpira nas outra, um pasmar

 

E num rancor de ancorar

Ouve-se forte crepitar

Num rangido miudinho!...

 

MC

publicado por mcarvas às 15:25

Desvarios

26.03.13

A mente, encerra em si

Ciclos de um vai e vem

Pausas p'ra ver quem tem

 

Vestes que pousam em ti

Traços, que crescem em mim

Sombras que vingam sem fim!...

 

MC

publicado por mcarvas às 17:42

MAR D'ÀGUA

26.03.13

Medram hostes, do nada

Vertidas em campos rosados

Tolhem, todos os prados

Sortes estas, malfadadas.

 

 

Senti-te baixinho a orar

Chorando, bem junto a mim

E num crepitar sem fim

Teus olhos a marear!

 

O mar d'àgua se esbateu

E logo o sol despontou

De fulgor, tudo tomou

Quando em ti se deitou.

 

Honraria, te seja feita

 Sem desdém ou preconceito

Vingue forte em teu peito

A liça de tua desfeita.

 

Campina, de olhos tristes

Carregas em ti forte peso

Essa cruz de arremesso

Cavalgando tempo agreste!

 

Voa bem alto franzina

De roupagem colorida

Seja a luz, tua guarida

Num mar de despedida.

 

MC

publicado por mcarvas às 17:28

LICENÇA

25.03.13

                II

 

O peido, só tem um sentido

Chegar à porta de rompante

Mas se preso, por um instante

Então, vai ter alarido.

O peido, perde o sentido

Para criar afirmação

Mas da grande satisfação

Quando sai comprimido.

O peido, é coisa boa

E não há quem o não larga

Mesmo quando se caga

No fundo, tudo entoa.

Peida forte, a criança

A menina, e quando adulto

Até o cobarde faz força

E o padre, peida por indulto.

A moça, se elegante

Peida descontraída

Mas fica arrependida

Ao ouvir o cantante.

A mulher avantajada

Não peida,sem ser aos pares

Não tem medo dos ares

Nem de acabar com a boda.

Quando a mulher é magra

Não lhes garante guarida

E numa festa aguerrida

Ri, muito enquanto caga.

Já a mulher poderosa

Caga de qualquer maneira

Diz que não é brincadeira

E peida-se sempre à grosa.

A miss, a custo se larga

E sempre em duplo sentido

Mas com ar comprometido

Fala muito enquanto peida.

A velha, volta-se e peida

Mas sem qualquer preconceito

Diz que lhe apanhou o geito

E não se cala enquanto peida.

O peido, não é brincadeira

E o bufante agradece

Se preso, apodrece

E pode soltar caganeira.

Se ao transar,sentir mau hálito

Cuidado, canal errado

A boca é do outro lado

A não ser força do hábito.

Peida a freira no convento

O médico, no hospita

O juíz no tribunall

E o papa, so larga vento.

O político no parlamento

Peida de qualquer maneira

O ardina, peida na feira

E o aluno na carteira.

O governo, por comportamento

Diz que so peida a direito

Quando chega ao presidente

Esse, só peida por decreto.

Tudo peida minha gente

Por vontade ou tentação

Não percam pois a razão

Ao deixar peido pendente.

 

MC

 

 

 

 

 

 

publicado por mcarvas às 12:33

Licença

25.03.13

            I


O peido pediu ao cu

Licença, para sair

Mas sempre a descair

Fechou-se p'ra não partir

Que o peido, não passa do cu.

Foi tão forte a contracção

E o peido preso à porta

Que a moça em contrição

Fugindo já toda torta

Senta-se em contemplação

Para o cu abrir a porta.

O cu já muito dorido

Que o peido, tinha cozido

Larga tudo de repente

Com força de estrela cadente

E numa forte exclamação

Ribombou como um trovão.

O alívio, foi geral

E a moça sorrindo de novo

Virou-se para seu povo

Que nem cheirava tão mal.

O puto, caiu redondo

Ao levar com o alarido

E a moça descontraída

Disse ser culpa do conde.

Com as bordas do cu a arder

E o nariz a doer

Saltou o muro a fugir

Para nunca mais se ver.

 

MC

 

 

publicado por mcarvas às 12:12

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