Lúgrebe lugar

10.11.08


Num vôo tão magestoso
que quase abraçava o céu
e um silêncio se abateu...
Que silêncio tão ruídoso!

Bateu à porta a invernia
este ano chegou mais cêdo
soltando o crêdo e o mêdo
que nem viv'alma se via.

Do terreiro até ao adro
tinha a rua iluminada
luziam as pedras da calçada
num tão grosseiro empedrado.

Subi-lo era um suplício
quando o inverno chegava
a geada já brilhava
dando largas ao martírio.

Neste lúgrebe lugar
onde o silêncio era rei
meu silêncio a ela juntei
por lá me deixei ficar.

MC

 

publicado por mcarvas às 21:06

Ri dículo

10.11.08


No antes, já fomos grandes
no aquém e além mar
até virem alguns e nos tomar
para si e suas órdes.

Agora, pequenos nos tornam
usam p'ra isso da força
que no limiar já roça
e que a todos subjugam!

Mas como será possível
que só façam mal
o que lá fora fazem tão bem?

São estas as hordes
que já roçam o ridículo
que se servem do desdem
como seu lucro também
para ganhar suas sortes.

Seremos nós os pequeninos...
Ou quem nos governa, meninos?

MC

 

publicado por mcarvas às 21:04

Palavras vâs

10.11.08


As honrarias da pátria
versadas entre senhores
e também alguns doutores
mas negam-se aos esturpores
que a guerra por eles faria.

Para isso têm a plebe
que juntos eles escomungam
para fazer o que eles mandam
qualquer acto lhes serve.

Mas se a pátria viram tomada
fogem todos sem temor
tentando por tudo esconder
os actos de suas jornadas.

São todos estes senhores
que de élite se apelidam
em todos os cantos vasculham
as sombras de seus credores.

Quando sobem ao poder
doutos já julgam sêr
engendram já a antevêr
leis a seu belo prazer.

O ditado já o dizia
o povo tem memória curta
fala, mas muito mal escuta
senão não os elegia.

São estes fazedores de sonhos
que usam a palavra como arma
mentindo para manterem a trama
devassam, montam patranhas.

Para subirem um degrau
que os conduza à cadeira
até chafurdam na feira...
por eles nada está mau.

O povo não tem saber
e muito pouco querer
senão, como voltam a meter
esses senhores no poder?

MC

 

publicado por mcarvas às 19:16

Honrarias

10.11.08


Falas-te tão de mansinho
bem junto ao meu ouvido
meu peito então despedido
deu um salto destemido
ao vêr-te em meu caminho.

E nas parêdes da praça
expôs toda a tua graça
e a todas as gentes que passam
ele ergue a ti a taça
rogando que o também façam.

MC

 

publicado por mcarvas às 19:15

Feira na aldeia

10.11.08


Um pregão anunciava
mesmo ao fundo da calçada
que a tenda já estava armada
e toda a aldeia ele tomava.

Dia de feira na aldeia
e mesmo junto à ribeira
uma velha carpideira
se iluminava n'uma ideia.

Rua acima, rua abaixo
em todas as tendas batia
entre os prgões que expelia
ia mostrando um capacho

A vêr se naquele dia
amealhava o dinheiro
que daria por ionteiro
na Senhora D'Agonia.

MC

 

publicado por mcarvas às 19:14

Desnorte

10.11.08


Dei um passo certo dia
quando te deixei sozinha
qual frágil avezinha
que nesse ficou
a ser o dia em que estou.

O tempo, parou nesse dia.
o céu por ti já chorou
deixei de saber o que sou.
Que o sol que nos alumia
perdeu toda a alegria
por ti, também já chorou.

Ao mar que de mim te levou
pragas roguei mais de mil
p'ra sua dôr não ter fim!
A vida tão só ficou.

Não mais entrei noutro barco
nem no mar mais navaguei!
Desta vida que não parto!...

O farol que é testemunha
de tão vil testamento
conta-me a todo o momento
não ter visto mais a linha
que separa o horizonte.

E ali mesmo de frente
sulcam lágrimas em minha mente.

MC

 

publicado por mcarvas às 19:13

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