Capelinha

17.11.08

Capelinha


Sã loucura no manuelino
de janelas rendilhadas
honras de joias herdadas
onde se guarda o Divino.

Capelinhas, são um hino
no povo uma assuçena
presenteam em cantilena
o passado d'um paladino.

Forma ruas, um traçado
no adro, um casario
há quem recuse o gentio
desprezando seu legado!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:48

Pequena traineira

13.11.08


Pequena traineira balanças
e danças nas ondas do mar
qual donzela a orar
envolta em suas tranças.

Abarcas o mundo em teu seio
não temes ir mais além
contigo, seguem também
cantares do povo que enleio.

Nesse mar que se agiganta
sulcas ladina vales agrestes
talhas as ondas como mestre
quando te toma a tormenta.

Navega, pequena traineira, navega
navega nas ondas do mar
não te enqueças de voltar

poderes chegar e contar
contos de encantar
seres p'ra sempre primeira

MC

 

publicado por mcarvas às 17:33

Sopro do pensamento

13.11.08


Era uma manhã fria
quando a porta se abriu
e logo ali se ouviu
o som que mais temia!...

Um violino que soltava
notas soltas de vil conto
a todas tomo e não solto
e que em meu peito se crava.

Foi n'uma manhã tão fria
que minh'alma se perdeu
não mais ela aqueceu!

O silêncio que a tomou
o sol não mais brilhou
e mais o frio temia!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:32

Jogos de união

13.11.08


O tempo perdido em vão
sem dizer ou consentir
o não querer, é mentir
vêr a voz da razão.

Nos jogos de união
parco sentir, é não querer
mas não querer por temer
é inglória compaixão.

Ousar sempre dizer
ousar ir mais além
não ousar ter desdém
sempre ousar o bem querer!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:31

Pregão

13.11.08


De pé descalço seguia
um gaiato tão traquina
imitava o pregão da varina
e, logo dela se escondia.

Corvina sardinha ou solha
a todos ela os cantava
enquanto a saia rodava
enrolava-os n'uma folha...´

À dúzia, é mais barato
era o êco que se ouvia
sorrindo ela sabia
que era o pregão do gaiato.

MC

 

publicado por mcarvas às 17:30

Teu sono

13.11.08


Era um momento solene
quando em braços dormias
a leveza que sentias
transpira em meu peito que dorme.

Poder bem alto subir
p'ra mais perto me encontrar
poder-me a teus pés deitar
que teu sono possa sentir.

Quando por fim te encontrar
dar azo a forte sentir
encantos, ainda por vir
teu sono, poder embalar!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:28

Ventos de despedida

11.11.08


Eram tantas as janelas
que se abriram, qual altar
em todas, lenços a abanar
os ventos da despedida.

Soluços encheram o ar
tantos quantos ousei vêr
nos céus sem nada temer
pairavam aves, para te louvar!

Edílico esse momento
esse momento capital...
vivê-lo, um grande mal
senti-lo, é um tormento.

MC

 

publicado por mcarvas às 17:32

Sombras

11.11.08

 
São sombras Senhor!
Estas sombras que alimentam
tantas são que sustentam
esta tão imensa dôr.

É um cavário este caminho
que torna esta vida tão fria
seja de noite ou de dia
ensombra o dia que se avizinha.

Estas sombras persistentes
afloram tão destemidas
guerreando leve esperança

de vê-las então perdidas
sulcando a doçe lembrança
se sua imagem presente!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:29

Cobiça

11.11.08


Pragueja no vale o pastor
enxameando com o ruído
um barulho tão fruído
que toma tudo em redor.

Quando o dia nasceu
no vale já se encontrava
onde seu gado pastava
tantas pragas que largou.

O filho da ti rosa mãe
também já tinha chegado.
P'ra ele ergueu o cajado
berrou ao gado também.

Umas couves de explendor
que tinha p'ra consoada
viu-sa às patas vergadas
e à cobiça do pastor.

O gado depressa deixou
ao vêr que o filho da ti rosa mãe
não lhe falava por bem
só no serro ele parou!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:28

Lúgrebe lugar

10.11.08


Num vôo tão magestoso
que quase abraçava o céu
e um silêncio se abateu...
Que silêncio tão ruídoso!

Bateu à porta a invernia
este ano chegou mais cêdo
soltando o crêdo e o mêdo
que nem viv'alma se via.

Do terreiro até ao adro
tinha a rua iluminada
luziam as pedras da calçada
num tão grosseiro empedrado.

Subi-lo era um suplício
quando o inverno chegava
a geada já brilhava
dando largas ao martírio.

Neste lúgrebe lugar
onde o silêncio era rei
meu silêncio a ela juntei
por lá me deixei ficar.

MC

 

publicado por mcarvas às 21:06

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