Grãos perdidos

30.01.09


Noite,refúgio da lira
repasto de grãos perdidos
onde medram os mêdos
e que toda a voz me tira.

Dá-me o que em dia se perde
ela é paz, a flora do silêncio
repouso d'um sossego imenso
acorda a mente, labor que arde!...

Dia, cheio de tudo que se arrasta
angústia, em forma de gente
alguma tem, que não sente
quando do dia se afasta.

Aconchego-me em teu regaço
e nela sinto o despertar
é um doce acordar
quando sinto o teu abraço.

É nesse manto de ilusão
vivências então perdidas
despertam coisa sentida
quando me estendes a mão!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:16

Uma lágrima

27.01.09


Um rosto, uma lágrima, um sorriso.
Uma nesga de sorriso perdido
num qualquer bolso esquecido
espera, poder ainda acordar.
Pinto quadros, pinto letras
espalhando sorriso e lágrimas
mas ainda faltam traços...
são vossos os meus senhora
quando me abrem os braços.
O cheiro de papel e tinta
onde lavo a solidão
um porto onde pouso a mão...
Revelam-se um dilema, uma tela
onde em meu pensamento
me envolvo, consigo vê-la
e me perco nesse elemento.
Sim, todos vós que me rodeiam
se enlaçam, me sorriem
e minha alma me tecem!...
Sim, faz parte de vós
quando a tristeza nos deixa sós.

 

publicado por mcarvas às 18:10

Mariazinha

27.01.09


Maria, tem já tres dias
que não te vejo a sorrir
em teus lábios quero sentir
o nascer das alegrias.

Diz-me tú Mariazinha
porque em lágrimas te lavas
que em teu rosto ficam marcadas
será por culpa da vizinha?

Teus olhos estão mais profundos
teu peito solta tremores
diz-me lá se é por amores
que trazes no peito escondidos!

Teu sorriso, oh Maria
enaltece toda a aldeia
não apagues a candeia
que teu sorriso presenteia.

MC

 

publicado por mcarvas às 18:09

Êcos

23.01.09


Que todas a feras da terra
que em sangue se lambusam
sintam a quem elutam
as vertigens dessa guerra.

Lavam-se matas com sangue
onde medra a avareza
tecem ramos de incerteza
por uma caçada infame.

Os prémios então jogados
por tantas carcaças despidas
do nobre sêlo da vida
brilham aos olhos dos biltros.

O homem em sua senda
gera temor entre os demais
unem-se a seus començais
ao perpetuar essa senda.

E na senda da contenda
um vale de lágrimas é cavado
onde tanto destino é largado
que somam a ignóbil caçada.

Nos antrios dessa guerra
onde se gera a vingança
urge aos êcos da matança
ver também, tombar a fera!...

MC

 

publicado por mcarvas às 18:15

Viver

23.01.09

  Preçes leva-as o vento  na espera da absolvição  soma e segue a confusão  quebra vontades e intento   Um sentimento de perda  que assola toda a vontade  gera um sentido em verdade  numa só via,saudade.   Ver definhar o sentido  que ergueu tantos altares  torna parco seus pares  definha o ceptro erguido!   Calcorear as sementes  ainda por germinar  é um eterno fadar  nesta via de contrastes.   A confusão que se avoluma  não tem princípio nem fim  é um não querer saír de mim  e me acorrenta na bruma.   Querer voltar a sentir  vivências então perdidas  limpar exêquias da partida   com uma força desmedida  que a vida tão aguerrida  volte de novo a sorrir.   MC 

publicado por mcarvas às 18:14

Vida

17.01.09


Abre tua mente comclamor
abre teu peito ao sentimento
vive na vida cada momento
sempre, sempre com fulgor.

Retração cria raízes
receios, cultivam mêdos
dos aneis que pões nos dedos
relembra os dias felizes.

Não tenhas mêdo da vida
nem receios no amanhã
que o amor somente apanha
quem lhe concede guarida.

A vida, é joia é flor
é um sopro, uma miragem
só vivendo-a com coragem
se cura e trata a dôr!

É sol, é chuva, é renovo
é uma coisa querida
por cada lágrima vertida
o sol brilha de novo.

MC

 

publicado por mcarvas às 21:09

Traços

17.01.09


Um embrulhado de formas
passeava-se pelos céus
sxpondo Deuses ateus
vociferando suas normas.

O vento que então soprava
tocando nuvens em rebanho
entre rasgos de clarões tamanhos
enquanto o trovão ribombava!

Pronto se vestiu de pranto
com um forte cheiro a cinza
que tomou toda a brisa
no poço do esquecimento.

Abrem-se então os portais
a chuva caíndo em bátegas
soltando fortes golfadas
era o vale dos vendavais!...

Onde não pousa terna ave
nem o mais ousado dos animais
intenta transpor seus portais
receios que em mente agrave.

Ou seja tomado em seus braços
este gosto a sal pimenta
que por todo o chão fermenta
quebrando todos os traços.

Nascem demónios putridos
que vertem névoas e sombras
sempre que mais um ser tomba
há festa e risos garridos.

É neste antrio de perdição
que os mêdos mais se afloram
por tudo, já fragas choram
tomando por sua a paixão.

Estes portais lizídios
que cativam a entrada
depois de linha quebrada
renascem filhos perdidos.

Vergados, o silêncio temem
o silêncio que então dorme
o silêncio que consome
é o princípio do fim!...

MC

 

publicado por mcarvas às 21:08

Silêncio

11.01.09


Parei para colher uma flôr
para alegrar o meu dia
ao vêr que outra flôr me seguia
virei-me então para a erguer.

Era ainda tão menina
com uns olhitos de encantar
ao me vergar para a amparar
para mim se pos a cantar!

Com uma voz tão doce
e um poema de embalar
que me deixou a pensar
como de um anjo se tratasse.

Um sorrisinho tão límpido
cristalino como o orvalho
em seu canto me embalo
queme deixei ser seguido.

Sua imagem gravo até hoje
para dar cor a meu dia
sem ela perdi o dia
que até hoje me foge.

MC

 

publicado por mcarvas às 16:07

Retrocesso

11.01.09


Uma copiosa chuva caía
inundando o lugarejo!
D'ali até ao brejo
nem viv'alma que se via.

Numa quietude total
via a chuva que caía
pela encosta lá seguia
encharcando o choupanal.

As horas foram passando
e pela vidraça me quedei
a mão, pelo rosto passei
e vi que estava chorando.

Em silêncio e contido
lágrimas ia vertendo...
A tristeza me tomou.

Mais escuro o dia ficou
o fardo, ficou mais pesado!
A vida é vil castigo!...

MC

 

publicado por mcarvas às 16:06

Quadro sublime

05.01.09


Que paz tão tranquila
tomava todo o regato
e um pintarroxo de fato
punha seus filhos em fila.

Era a primeira lição

bem no cimo de um pinheiro
foi ele que saltou primeiro
não fosse perder a razão.

Em coro, todos saltaram
para esse espaço infindo
foi um momento tão lindo
ao vêr que todos voaram!

Um quadro tão sublime
que a Ti dedico Senhor
és de tudo o criador
Tua vontade é tão firme.

MC

 

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