Desvarios

26.03.13

A mente, encerra em si

Ciclos de um vai e vem

Pausas p'ra ver quem tem

 

Vestes que pousam em ti

Traços, que crescem em mim

Sombras que vingam sem fim!...

 

MC

publicado por mcarvas às 17:42

MAR D'ÀGUA

26.03.13

Medram hostes, do nada

Vertidas em campos rosados

Tolhem, todos os prados

Sortes estas, malfadadas.

 

 

Senti-te baixinho a orar

Chorando, bem junto a mim

E num crepitar sem fim

Teus olhos a marear!

 

O mar d'àgua se esbateu

E logo o sol despontou

De fulgor, tudo tomou

Quando em ti se deitou.

 

Honraria, te seja feita

 Sem desdém ou preconceito

Vingue forte em teu peito

A liça de tua desfeita.

 

Campina, de olhos tristes

Carregas em ti forte peso

Essa cruz de arremesso

Cavalgando tempo agreste!

 

Voa bem alto franzina

De roupagem colorida

Seja a luz, tua guarida

Num mar de despedida.

 

MC

publicado por mcarvas às 17:28

LICENÇA

25.03.13

                II

 

O peido, só tem um sentido

Chegar à porta de rompante

Mas se preso, por um instante

Então, vai ter alarido.

O peido, perde o sentido

Para criar afirmação

Mas da grande satisfação

Quando sai comprimido.

O peido, é coisa boa

E não há quem o não larga

Mesmo quando se caga

No fundo, tudo entoa.

Peida forte, a criança

A menina, e quando adulto

Até o cobarde faz força

E o padre, peida por indulto.

A moça, se elegante

Peida descontraída

Mas fica arrependida

Ao ouvir o cantante.

A mulher avantajada

Não peida,sem ser aos pares

Não tem medo dos ares

Nem de acabar com a boda.

Quando a mulher é magra

Não lhes garante guarida

E numa festa aguerrida

Ri, muito enquanto caga.

Já a mulher poderosa

Caga de qualquer maneira

Diz que não é brincadeira

E peida-se sempre à grosa.

A miss, a custo se larga

E sempre em duplo sentido

Mas com ar comprometido

Fala muito enquanto peida.

A velha, volta-se e peida

Mas sem qualquer preconceito

Diz que lhe apanhou o geito

E não se cala enquanto peida.

O peido, não é brincadeira

E o bufante agradece

Se preso, apodrece

E pode soltar caganeira.

Se ao transar,sentir mau hálito

Cuidado, canal errado

A boca é do outro lado

A não ser força do hábito.

Peida a freira no convento

O médico, no hospita

O juíz no tribunall

E o papa, so larga vento.

O político no parlamento

Peida de qualquer maneira

O ardina, peida na feira

E o aluno na carteira.

O governo, por comportamento

Diz que so peida a direito

Quando chega ao presidente

Esse, só peida por decreto.

Tudo peida minha gente

Por vontade ou tentação

Não percam pois a razão

Ao deixar peido pendente.

 

MC

 

 

 

 

 

 

publicado por mcarvas às 12:33

Licença

25.03.13

            I


O peido pediu ao cu

Licença, para sair

Mas sempre a descair

Fechou-se p'ra não partir

Que o peido, não passa do cu.

Foi tão forte a contracção

E o peido preso à porta

Que a moça em contrição

Fugindo já toda torta

Senta-se em contemplação

Para o cu abrir a porta.

O cu já muito dorido

Que o peido, tinha cozido

Larga tudo de repente

Com força de estrela cadente

E numa forte exclamação

Ribombou como um trovão.

O alívio, foi geral

E a moça sorrindo de novo

Virou-se para seu povo

Que nem cheirava tão mal.

O puto, caiu redondo

Ao levar com o alarido

E a moça descontraída

Disse ser culpa do conde.

Com as bordas do cu a arder

E o nariz a doer

Saltou o muro a fugir

Para nunca mais se ver.

 

MC

 

 

publicado por mcarvas às 12:12

CENTELHA

19.03.13

Um botãozinho de rosa

Segredou-me de mansinho

Que lhe lesse bem baixinho

Letras de rima, e prosa.

 

Disse-lhe baixinho também

Que rosas, não tem a vida

Rimas, é só a guarida

Que esta vida não tem.

 

Seus olhos grandes, a marear

Ferveram de espasmo, e pranto

Escorrem forte, até quando...

Trapos d'alma encharcados.

 

Perguntei-lhe com temor

De lhe provocar pavor

Centelha, por favor

O que te traz tanta dor?

 

Fitou-me breve de espanto

Por centelha lhe chamar

Que há muito, não ouvia clamar

E ser centelha seu fado!...

 

Soltei-lhe breve, uma rima

Para lhe lavar o fado

Tirar o jugo pesado

De seu rosto de menina.

 

Centelha de luz pequena

Que brilhas, bem junto a mim

Nasçam risos sem fim

Em teus lindos olhos, morena.

 

Rasguem-se os céus telha a telha

Conjurando novo lema

Germine em ti mente amena

Morena, linda centelha.

 

Um Anjo, subiu aos céus

Sobre os braços de morfeu

Levando pensamentos meus

Que agora, também são teus.

 

MC

publicado por mcarvas às 16:17

CONDESSA

19.03.13

Condessa, Condessa mia

Que trazes na alcofa escondida?

Serão frutos de pele despedida

Que na alcova tua Aia fia?

 

Diz-me Condessa, de teus ais...

Quantos soltas por passada?

Pois teus passos enlaçados

Soltam nos Pajens muitos mais!

 

Teus olhos senhora, de cor de amendoa

São luzes deste lugar

O sol mero luar

E seus raios, em ti entoa.

 

Senhora, raio de luz

Que espelhas todo o condado

Sempre que passa no adro

A noite se verga à cruz.

 

Diz-me Condessa singela

Que trajes esses te tecem

Pois mais de aia parecem

 

Sempre que estás à janela

Sorris límpida, sem desdém

Mesmo para alguém sem vintém!

 

Diz-me pois, cara Senhora

Que medos te medram no peito

E te tomam de trejeito?

 

Que as nuvens se adensem a eito

Gravando em si teu feito

E lavem teus medos, agora.

 

MC

 

publicado por mcarvas às 15:59

CULTO

13.03.13

Não mais cravos ou rosas

Não mais incúria de mente

Não mais este viver temente

Não mais este jardim de prosas.

 

A ruína de um canteiro 

Qual jardim encantado

Ensombrado, malfadado

Por este, vulgo mensageiro.

 

Decano das esplanadas

Mestre em artes circenses

A plebe de tão decadente

Joga-lhe coutos de emboscada!

 

Logo a prol sai a terreiro

Vincados na alta faiança

Rogando encher de dança

E terem um olho certeiro...

 

Carregam setas e centros

E cacos por todo o lado

Que este povo enrascado

Não sabe ler os letreiros.

 

É um arrastar de pandilhas

No palácio das cadeiras

Já são tantas as candeias

Para alumiar mareais!

 

Do pêso de seus alforges

Já o jumento resmunga

E logo o Prior excomunga

Os passos tortos do Borges.

 

Mas o ogre esbaforido

Salta a cerca do consórcio

Impelido por doce ócio

Crava-lhe farpas destemido.

 

Os malandros mais a monte

De branco e trapos vermelhos

Que tão prenhes de jumentos

Largam-lhe coros em mote.

 

Mas em suas necessidades

O curro de maltrapilhos

Envoltos nos espartilhos

Logo difundem vaidades.

 

O cerco, já vai no adro

E os faustos foçam no odre

Que já nem o cheiro a podre

Os expele do agrado.

 

Mais a jusante, lindos muros!

Todos pintados de rosa

Onde alguns colhem à grosa

E são paridos tantos burros.

 

Da canalha, já tem medo

E nos canteiros se esconde

Pois já não sabe para onde

Nem se o dia se faz cedo.

 

Nesse pensar permanente

De só as reformas papar

Há que mais uma mamar

Quando ficar pendente.

 

Saltam-lhe as falas pausadas

Das olheiras do encharcado

Que roga pragas de enfado

Às previsões malfadadas.

 

Logo o puto da lambreta

Na sua ciência exacta

Foça, escava desbarata

Sem nem sujar a gravata.

 

Larga enredos à toa

E lamúrias desmedidas

Vê-as tão breve detidas

Em seu A-8, com proa.

 

Mas eis que chega, altivo

O courato d'além mar

A passo, com falta de ar

P'ra mais um dia festivo.

 

Saltam-lhe ideias à frente

Sem as ousar arrolar

Logo se põe a ladrar

Nas bestas que lhe dão o mote.

 

O pequenito do frio

Que chegou teso e rijo

Sem qualquer prejuízo

Corre já solto, sem freio.

 

Com sua testa de jazigo

E ideias de arriba

Só lhe cresce a barriga

Já para fora do abrigo.

 

A relva, cresce a reboque

Nos planos de equivalências

São tantas as valências

Que os cursos saltam ao toque.

 

Por percalço da mente

Os agora aqui esquecidos

Não fiquem pões esbaforidos

Serão lembrados certamente.

 

Estas hostes de um deus só

Que pandilham na finança

Lambuzam, enchem a pança

E a praga nunca vem só!...

 

MC

publicado por mcarvas às 14:57

Princesinha

01.03.13

O cheiro a terra molhada

E logo se arreda o cacimbo

Lavando todo esse limbo

Gravando nova alvorada.

 

Negage dos mil amores

Que cantas letras antigas

E todas as tuas cantigas

Se alvitram de primores.

 

Da capopa ao caricoco

Da praça cheia de graça

Espelhas toda a tua raça

Nos olhos de ti, nobre moça!

 

Negage, terra de encantos

E gentes de todo o lado

Que ao sentirem o teu fado

Logo te ficam pendentes.

 

A fuligem da queimada

Que ao longe se ouve estalar

Eleva teu cheiro no ar

Negage, terra prendada.

 

Enlevo pois, tuas dores

Bem alto no firmamento

Em ti pouso, o pensamento

Oh terra de meus amores.

 

MC

publicado por mcarvas às 16:06

Caldo de fruta

01.03.13

Banana, feijão e pinga

Goiaba ananás e manga

Maracujá e jinguba

Mandioca, pilão e fuba

Tudo esta terra tem

Até a planta do dém-dém

E do maluvo também.

Tem pau de bordão

Para tocar a percussão

E até com árvore do mamão

de faz um violão!

Um bom prato de funge

Com quiabo e paca assada

Gindungo bem assanhado

Para temperar o guisado

Mas se ficar à rasquinha

Bebe uma cuca fresquinha

Muita mais fruta tem

Até da morena também

Mas não vamos falar de isso

Senão perde-se o juízo.

Tem flor de sabugueiro

Para fazer um fumeiro

E sem qualquer complicação

Trata da constipação.

Se passarem no carneiro

Bem atrás do hospital

Tem pitanga bem docinha

Argila muito branquinha

Que trata de qualquer mal!

Se noutras terras tem mais

No Negage tem demais

E vamos parar por agora

E deixar p'ra outra hora!...

 

MC

publicado por mcarvas às 15:58

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