Um pano a esvoaçar
com suas fraldas rasgadas
que a fogo foram forjadas
para ao vento se embalar.

Tinha as côres da nação
alinhadas em castelos
e com um fundo amarelo
sobre um verde de razão!

Um vasto lençol tingido
vermelho, sangue de tantos
e o suor de outros quantos
que a pulso fou erguido.

E esta nação secular
de outrora navegantes
tantos eram os mareantes
com ânsia de o mar sulcar!

A novas paragens rumou
e novos povos descobrir
fazer a nação progredir
e novos mundos fundou!...

Viu-se tão de repente
de seu espólio desgarrada
á lama da rua foi jogada
não mais foi como d'antes.

Ao saque, vieram muitos
tantos quantos lá couberam
e seus haveres lhe tomaram;
Tantos na gula eram afoitos.

Desprezada, ao abandono
sem poder largar um ai
viu-se tomada por generais
que a tornaram num adorno.

A esta paisagem fulcral
que já não teme quem a tome
onde o povo padeçe de fome
foi outrora, um imenso Portugal.

 

MC

 

publicado por mcarvas às 17:46