Tão sombria, quan sinistro
lá longe,bem na linha do horizonte
rogam as ondas ao infante
n'um banho de fogo e sangue
que nesta junção vulgo insana
perdeu os tons, a trigana!...
Pejou-se ne luto do sinistro
nesse baldio presente
urge verter sinais do temor
onde grassam estampidos de dôr
bem unos, lá mais à frente.
Avolumam-se as horas descontentes
no alto do mastro vigias
com notas soltas a Élias
por essas paragens distantes...
Um pé de vento se formou
tomando pr'a si fraca nau
que logo pegada de vau
um gran estampido soou!
Desfilam nuvens em salpicos
pousando seus trajes no mar
que ao nelas se vêr a enrolar
saltam do fundo os vertigos
tomando toda a claridade.
Desfaz-se então o dia em noite!
que corre tão breve e afoita
consumindo a humanidade.
E os dias que soltos surgiam
desmaiados já perecem
que nem a mais índole tecem
de tormentas, já sobejam!
Vulgo erro tão tresmalhado
percorre de quando em vez
sem nunca vêr que o fez
tomado, foi já julgado..
Perecem, perecem termos sem fim
rebentando no rochedo
soltam urros, metem mêdo
tão perto, quan perto do fim!...

MC

 

publicado por mcarvas às 22:10