Surreal a luz que brota
por entre gemidos já cumpridos
sonhos antigos perdidos
novas vénais de desfeita.

O vão triste e soturno
feito de palha e de cinzas
perdeu-se em divas e ninfas
num ciclo pobre, sem sono.

Lampejam caminhos desfeitos
do outrora virtuoso
com riso largo e jucoso
velados por cinzas de despeito.

Tropego o dia nascido
que em míngua se acomodou
e é nesta volta da roda
que o nada de tudo é traçado.

Cantares, leva-os um sopro
por essas palhas ardidas
pousam olhares desvaridos
na dança funesta de um logro!...

MC

publicado por mcarvas às 16:08