Um botãozinho de rosa

Segredou-me de mansinho

Que lhe lesse bem baixinho

Letras de rima, e prosa.

 

Disse-lhe baixinho também

Que rosas, não tem a vida

Rimas, é só a guarida

Que esta vida não tem.

 

Seus olhos grandes, a marear

Ferveram de espasmo, e pranto

Escorrem forte, até quando...

Trapos d'alma encharcados.

 

Perguntei-lhe com temor

De lhe provocar pavor

Centelha, por favor

O que te traz tanta dor?

 

Fitou-me breve de espanto

Por centelha lhe chamar

Que há muito, não ouvia clamar

E ser centelha seu fado!...

 

Soltei-lhe breve, uma rima

Para lhe lavar o fado

Tirar o jugo pesado

De seu rosto de menina.

 

Centelha de luz pequena

Que brilhas, bem junto a mim

Nasçam risos sem fim

Em teus lindos olhos, morena.

 

Rasguem-se os céus telha a telha

Conjurando novo lema

Germine em ti mente amena

Morena, linda centelha.

 

Um Anjo, subiu aos céus

Sobre os braços de morfeu

Levando pensamentos meus

Que agora, também são teus.

 

MC

publicado por mcarvas às 16:17