CENTELHA

19.03.13

Um botãozinho de rosa

Segredou-me de mansinho

Que lhe lesse bem baixinho

Letras de rima, e prosa.

 

Disse-lhe baixinho também

Que rosas, não tem a vida

Rimas, é só a guarida

Que esta vida não tem.

 

Seus olhos grandes, a marear

Ferveram de espasmo, e pranto

Escorrem forte, até quando...

Trapos d'alma encharcados.

 

Perguntei-lhe com temor

De lhe provocar pavor

Centelha, por favor

O que te traz tanta dor?

 

Fitou-me breve de espanto

Por centelha lhe chamar

Que há muito, não ouvia clamar

E ser centelha seu fado!...

 

Soltei-lhe breve, uma rima

Para lhe lavar o fado

Tirar o jugo pesado

De seu rosto de menina.

 

Centelha de luz pequena

Que brilhas, bem junto a mim

Nasçam risos sem fim

Em teus lindos olhos, morena.

 

Rasguem-se os céus telha a telha

Conjurando novo lema

Germine em ti mente amena

Morena, linda centelha.

 

Um Anjo, subiu aos céus

Sobre os braços de morfeu

Levando pensamentos meus

Que agora, também são teus.

 

MC

publicado por mcarvas às 16:17

CONDESSA

19.03.13

Condessa, Condessa mia

Que trazes na alcofa escondida?

Serão frutos de pele despedida

Que na alcova tua Aia fia?

 

Diz-me Condessa, de teus ais...

Quantos soltas por passada?

Pois teus passos enlaçados

Soltam nos Pajens muitos mais!

 

Teus olhos senhora, de cor de amendoa

São luzes deste lugar

O sol mero luar

E seus raios, em ti entoa.

 

Senhora, raio de luz

Que espelhas todo o condado

Sempre que passa no adro

A noite se verga à cruz.

 

Diz-me Condessa singela

Que trajes esses te tecem

Pois mais de aia parecem

 

Sempre que estás à janela

Sorris límpida, sem desdém

Mesmo para alguém sem vintém!

 

Diz-me pois, cara Senhora

Que medos te medram no peito

E te tomam de trejeito?

 

Que as nuvens se adensem a eito

Gravando em si teu feito

E lavem teus medos, agora.

 

MC

 

publicado por mcarvas às 15:59

CULTO

13.03.13

Não mais cravos ou rosas

Não mais incúria de mente

Não mais este viver temente

Não mais este jardim de prosas.

 

A ruína de um canteiro 

Qual jardim encantado

Ensombrado, malfadado

Por este, vulgo mensageiro.

 

Decano das esplanadas

Mestre em artes circenses

A plebe de tão decadente

Joga-lhe coutos de emboscada!

 

Logo a prol sai a terreiro

Vincados na alta faiança

Rogando encher de dança

E terem um olho certeiro...

 

Carregam setas e centros

E cacos por todo o lado

Que este povo enrascado

Não sabe ler os letreiros.

 

É um arrastar de pandilhas

No palácio das cadeiras

Já são tantas as candeias

Para alumiar mareais!

 

Do pêso de seus alforges

Já o jumento resmunga

E logo o Prior excomunga

Os passos tortos do Borges.

 

Mas o ogre esbaforido

Salta a cerca do consórcio

Impelido por doce ócio

Crava-lhe farpas destemido.

 

Os malandros mais a monte

De branco e trapos vermelhos

Que tão prenhes de jumentos

Largam-lhe coros em mote.

 

Mas em suas necessidades

O curro de maltrapilhos

Envoltos nos espartilhos

Logo difundem vaidades.

 

O cerco, já vai no adro

E os faustos foçam no odre

Que já nem o cheiro a podre

Os expele do agrado.

 

Mais a jusante, lindos muros!

Todos pintados de rosa

Onde alguns colhem à grosa

E são paridos tantos burros.

 

Da canalha, já tem medo

E nos canteiros se esconde

Pois já não sabe para onde

Nem se o dia se faz cedo.

 

Nesse pensar permanente

De só as reformas papar

Há que mais uma mamar

Quando ficar pendente.

 

Saltam-lhe as falas pausadas

Das olheiras do encharcado

Que roga pragas de enfado

Às previsões malfadadas.

 

Logo o puto da lambreta

Na sua ciência exacta

Foça, escava desbarata

Sem nem sujar a gravata.

 

Larga enredos à toa

E lamúrias desmedidas

Vê-as tão breve detidas

Em seu A-8, com proa.

 

Mas eis que chega, altivo

O courato d'além mar

A passo, com falta de ar

P'ra mais um dia festivo.

 

Saltam-lhe ideias à frente

Sem as ousar arrolar

Logo se põe a ladrar

Nas bestas que lhe dão o mote.

 

O pequenito do frio

Que chegou teso e rijo

Sem qualquer prejuízo

Corre já solto, sem freio.

 

Com sua testa de jazigo

E ideias de arriba

Só lhe cresce a barriga

Já para fora do abrigo.

 

A relva, cresce a reboque

Nos planos de equivalências

São tantas as valências

Que os cursos saltam ao toque.

 

Por percalço da mente

Os agora aqui esquecidos

Não fiquem pões esbaforidos

Serão lembrados certamente.

 

Estas hostes de um deus só

Que pandilham na finança

Lambuzam, enchem a pança

E a praga nunca vem só!...

 

MC

publicado por mcarvas às 14:57

Princesinha

01.03.13

O cheiro a terra molhada

E logo se arreda o cacimbo

Lavando todo esse limbo

Gravando nova alvorada.

 

Negage dos mil amores

Que cantas letras antigas

E todas as tuas cantigas

Se alvitram de primores.

 

Da capopa ao caricoco

Da praça cheia de graça

Espelhas toda a tua raça

Nos olhos de ti, nobre moça!

 

Negage, terra de encantos

E gentes de todo o lado

Que ao sentirem o teu fado

Logo te ficam pendentes.

 

A fuligem da queimada

Que ao longe se ouve estalar

Eleva teu cheiro no ar

Negage, terra prendada.

 

Enlevo pois, tuas dores

Bem alto no firmamento

Em ti pouso, o pensamento

Oh terra de meus amores.

 

MC

publicado por mcarvas às 16:06

Caldo de fruta

01.03.13

Banana, feijão e pinga

Goiaba ananás e manga

Maracujá e jinguba

Mandioca, pilão e fuba

Tudo esta terra tem

Até a planta do dém-dém

E do maluvo também.

Tem pau de bordão

Para tocar a percussão

E até com árvore do mamão

de faz um violão!

Um bom prato de funge

Com quiabo e paca assada

Gindungo bem assanhado

Para temperar o guisado

Mas se ficar à rasquinha

Bebe uma cuca fresquinha

Muita mais fruta tem

Até da morena também

Mas não vamos falar de isso

Senão perde-se o juízo.

Tem flor de sabugueiro

Para fazer um fumeiro

E sem qualquer complicação

Trata da constipação.

Se passarem no carneiro

Bem atrás do hospital

Tem pitanga bem docinha

Argila muito branquinha

Que trata de qualquer mal!

Se noutras terras tem mais

No Negage tem demais

E vamos parar por agora

E deixar p'ra outra hora!...

 

MC

publicado por mcarvas às 15:58

PRAÇA DOS SILÊNCIOS

26.02.13

O vôo da noite, pousou

Sobre o lugarejo perdido

Entre o xisto empedernido

Nem de espreitar, alguém ousou!

 

Com seu uivo arrebeta

As franjas que o luar semeou

Sob si já domou

O trapo de luz que desbota.

 

Passos de fraca firmeza

Ecoam na escarpa encravada

Calcando carreiros do nada

Vagueia envolta em tristeza.

 

A cria do homem tem mêdo

Mêdo de não ver mais além

Curte na noite o desdem

Da luz que lhe foge, tão cedo!

 

Que praças de silêncios estes

que não vislumbram ninguém!

Tolhem caminhos que vêm

Gerem arribas funestas!...

 

A crias do homem, tem mêdo

Mêdo de não ir mais além!...

 

MC

publicado por mcarvas às 10:51

FORJAS

26.02.13

Canta-lo é enternece-lo

Envolve-lo pois, de mansinho

vesti-lo sim, de azevinho

É não mais querer esquece-lo!

 

O manto que cobre a aurora

cavalga ventos do norte

Uiva nos vales tão forte

Fedendo por dentro e por fora...

 

Trémula a luz serpenteia

Por entre folhados escondidos

quiçá, veledas perdidas

Neste cosmo que enxameia.

 

Despi-lo pois dessas franjas

Que de tão,... em si se alongam

tão vastas são que prolongam

A rudeza destas forjas!

 

Malham o passado, presente

Num grito forte, tão escuro

Senti-lo, é já tão duro

Que o tempo se apaga ausente.

 

MC

publicado por mcarvas às 10:38

CANTARES

29.01.13

Cantando, transpira a alma

Num solfejo de palavras

Esconjura temores, amarguras

Um breve tempero que acalma.

 

Nas quadras de alinhavo

Soltam-se cravos e espinhos

Que tão!... Marcam o caminho

Nesse palrar tão esquivo.

 

Sou todo aquele, e o outro

Que retoma a cada tempo

Sem sossego, nem momento

Se atola em seu tormento.

 

Grilhetas em seu bailado

Moldam tudo por perdido

É nesse fado desmedido

Que tudo perde o sentido

 

MC

 

 

 

publicado por mcarvas às 18:09

PERDA TUA

29.01.13

Sorriu virado pró céu

Nesse gesto tão so seu

Sonhos vivos, sonhos deu

Sonhos levou e perdeu!

 

Brilha bem alto, bem longe

Tão longe, bem perto de mim

Tão forte pulsa sem mim

Sem fim, teu brilho em mim.

 

Vela su alma, meu Deus

Já que de mim o roubas-te

Tudo tão meu Tú tomas-te

Meus, que agora são teus!

 

Este manto que me assombra

Alonga-se em mim de lembranças

Gentias são suas tranças

Plantio de esteiros e sombra.

 

Vida dura, vida nua

Que sulca dentro do peito

Rasga pois, bem tudo a eito

Desta perda em vida, a tua!...

 

MC

publicado por mcarvas às 17:52

PERDA

12.10.12

    Olá Meu filho saudade muuito grande deixas.Estejas em paz meu anjo.

publicado por mcarvas às 13:35

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