Pureza

10.02.09


Tornou-se famoso o luar
mais bela a claridade
sinal de promessa vencida
que dá o sentido à vida!

E das trevas surgiu luz
esse brilho que a seduz
com uma força pungente
o filho que ali concebia
seria promessa lactatente
que um dia então nascia.
com sua força crescente
de mulher, mãe, só Maria!

Oh cantos de enaltecer
que usas promessas sentidas
e tantas lágrimas vertidas
fazem o dia nascer!

Lírios do campo, bonitos
cantos de aves a pairar
e essa graça que faz perecer
de nobreza o mais afoito.

Um rostinho tão formoso
e uns gestos soltos, qual proza
que de inveja cora a rosa
tecendo olhar mui formoso.

Ao vêr no ar tanta graça
passa o tempo e enquanto passa
no peito imprime a traça
de um sorriso de criança.

MC

 

publicado por mcarvas às 14:37

Uma lágrima

27.01.09


Um rosto, uma lágrima, um sorriso.
Uma nesga de sorriso perdido
num qualquer bolso esquecido
espera, poder ainda acordar.
Pinto quadros, pinto letras
espalhando sorriso e lágrimas
mas ainda faltam traços...
são vossos os meus senhora
quando me abrem os braços.
O cheiro de papel e tinta
onde lavo a solidão
um porto onde pouso a mão...
Revelam-se um dilema, uma tela
onde em meu pensamento
me envolvo, consigo vê-la
e me perco nesse elemento.
Sim, todos vós que me rodeiam
se enlaçam, me sorriem
e minha alma me tecem!...
Sim, faz parte de vós
quando a tristeza nos deixa sós.

 

publicado por mcarvas às 18:10

Retrocesso

11.01.09


Uma copiosa chuva caía
inundando o lugarejo!
D'ali até ao brejo
nem viv'alma que se via.

Numa quietude total
via a chuva que caía
pela encosta lá seguia
encharcando o choupanal.

As horas foram passando
e pela vidraça me quedei
a mão, pelo rosto passei
e vi que estava chorando.

Em silêncio e contido
lágrimas ia vertendo...
A tristeza me tomou.

Mais escuro o dia ficou
o fardo, ficou mais pesado!
A vida é vil castigo!...

MC

 

publicado por mcarvas às 16:06

Quadro sublime

05.01.09


Que paz tão tranquila
tomava todo o regato
e um pintarroxo de fato
punha seus filhos em fila.

Era a primeira lição

bem no cimo de um pinheiro
foi ele que saltou primeiro
não fosse perder a razão.

Em coro, todos saltaram
para esse espaço infindo
foi um momento tão lindo
ao vêr que todos voaram!

Um quadro tão sublime
que a Ti dedico Senhor
és de tudo o criador
Tua vontade é tão firme.

MC

 

Pingente

05.01.09


Um fiosinho de chuva
que não chegou ao chão
acorda gentil paixão
ao vêr tão doce escultura

Que suave está o campo
de um linho tão macio
mesmo fazendo frio
a neve preenche o vazio.

Quam limpido está o dia
e, o pingente ali formado
com um ar imaculado
anda à solta a magia.

O frio que endurece os corpos
suaviza também a memória
enchendo o dia de glória
que desperta os sentidos.

Paira no ar uma leveza
que cobre todo o campo
de um branco tão sereno
explendeor da natureza.

MC

 

publicado por mcarvas às 23:29

Não mais

06.12.08


Este mar que há em mim
tanto que ele me seduz
intensa força me conduz
que em mim não tem fim.

Poder tomá-lo por inteiro
soltar o tempo e perdê-lo
não mais, voltar a vê-lo
nem a seu sopro matreiro.

Tomá-lo ao sabor do vento
e em suas cristas crispadas
erguer altas paliçadas
e vêr suas bestas domadas!...

E em completa comunhão
soltar amarras, partir
longe!...Não mais sentir
perda, nem mera compaixão.

E que desta fria união
nasça um novo em mim!
Não mais poder vêr o fim
não mais sentir outra mão.

E em seu seio me perder
perder todo este querer
sem porto nem abrigo ter
não mais me voltar a vêr.

Não mais!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:54

Pátria

29.11.08


Um pano a esvoaçar
com suas fraldas rasgadas
que a fogo foram forjadas
para ao vento se embalar.

Tinha as côres da nação
alinhadas em castelos
e com um fundo amarelo
sobre um verde de razão!

Um vasto lençol tingido
vermelho, sangue de tantos
e o suor de outros quantos
que a pulso fou erguido.

E esta nação secular
de outrora navegantes
tantos eram os mareantes
com ânsia de o mar sulcar!

A novas paragens rumou
e novos povos descobrir
fazer a nação progredir
e novos mundos fundou!...

Viu-se tão de repente
de seu espólio desgarrada
á lama da rua foi jogada
não mais foi como d'antes.

Ao saque, vieram muitos
tantos quantos lá couberam
e seus haveres lhe tomaram;
Tantos na gula eram afoitos.

Desprezada, ao abandono
sem poder largar um ai
viu-se tomada por generais
que a tornaram num adorno.

A esta paisagem fulcral
que já não teme quem a tome
onde o povo padeçe de fome
foi outrora, um imenso Portugal.

 

MC

 

publicado por mcarvas às 17:46

Lua suave

17.11.08


O tempo não mais apaga
o sentir de uma criança
nem a primavera cansa
um simples mimo que afaga!

Descalça lá ia e vinha
eras tú amora doce
por mais longe que fosse
sabia que sempre te tinha.

És minha lua suave
que me vem adormecer
pousando em mim seu olhar
faz a noite florescer!

Ai amores...quem os não teve...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:49

Odores

08.11.08


Os ventos de outono
com sua graciosa ondulagem
acolchoam a grama de folhagem
em extenso nanto de abono.

Polvilham o ar de aromas
bandos de aves em viagem
enchendo o ar à sua passagem
de um pleno bailado em temas.

Mas por entre densa folhagem
salta o atarefado melro
p'ra ele tudo que vê é novo
sempre afoito à pilhagem!...

Exibe seu bico amarelo
no peito, uma côr mais parda
enquanto a fêmea envergonhada
vai tecendo um novêlo

Que lhes há-de servir de ninho
e quando chocarem seu ôvo
ao mundo virá de novo
que hão-de criar com carinho.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:06

O sol suspirou

06.11.08

s
Dei-te um ramo de cravos
para honrar o teu vestido
e um sorriso desmedido
reflectiu-se em teus olhos.

Um rouxinol cantador
em teu ombro se pousou
que até o sol suspirou
ao vêr tamanho explendor!

Mirar-te é meu prazer
meu prazer principal
não tenho outro igual
nem outro eu quero têr.

MC

 

publicado por mcarvas às 15:13

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