PRAÇA DOS SILÊNCIOS

26.02.13

O vôo da noite, pousou

Sobre o lugarejo perdido

Entre o xisto empedernido

Nem de espreitar, alguém ousou!

 

Com seu uivo arrebeta

As franjas que o luar semeou

Sob si já domou

O trapo de luz que desbota.

 

Passos de fraca firmeza

Ecoam na escarpa encravada

Calcando carreiros do nada

Vagueia envolta em tristeza.

 

A cria do homem tem mêdo

Mêdo de não ver mais além

Curte na noite o desdem

Da luz que lhe foge, tão cedo!

 

Que praças de silêncios estes

que não vislumbram ninguém!

Tolhem caminhos que vêm

Gerem arribas funestas!...

 

A crias do homem, tem mêdo

Mêdo de não ir mais além!...

 

MC

publicado por mcarvas às 10:51

LEMBRANÇAS

03.08.12

As ondas que se levantam

Trazendo ventos de esperança

Quiçá, tempos de rica bonança

Em todo que é velho suplantam.

 

Cavalgam em suas cristas

Avantajadas esperanças

Crispam-se em brigas e rixas

Das mais íngremes já viatas.

 

Nesse sal, se purga a alma

Numa salmoura à deriva

Nesses prados sem guarída

Trópega, se enrola na espuma.

 

Oh saudosos madrigais

Que de côr tudo pulsava

Sublime trova ladrava

no cêrco dos vendavais.

 

Que os sois brilhantes de outrora

Sejam engolidos nas trevas

Com suas fortes prêsas

Rasguem o depois, o agora!...

 

MC

publicado por mcarvas às 18:29

Cinzas

30.05.11


Surreal a luz que brota
por entre gemidos já cumpridos
sonhos antigos perdidos
novas vénais de desfeita.

O vão triste e soturno
feito de palha e de cinzas
perdeu-se em divas e ninfas
num ciclo pobre, sem sono.

Lampejam caminhos desfeitos
do outrora virtuoso
com riso largo e jucoso
velados por cinzas de despeito.

Tropego o dia nascido
que em míngua se acomodou
e é nesta volta da roda
que o nada de tudo é traçado.

Cantares, leva-os um sopro
por essas palhas ardidas
pousam olhares desvaridos
na dança funesta de um logro!...

MC

publicado por mcarvas às 16:08

Triste fado

13.12.09


Irrompe um broto valente
e sua adaga bramia
no bafo que lhe fugia
silvo, soltava a serpente!

A massa amorfa rolava
a cada passada jogada
que a pedra da calçada
ao peso da besta vergava.

Das ventas que eram de ontem
quiçá..., da semana passada
escorriam sobras da contenda
por um escárnio de desdém.

Acólitos, pregadores do queixume
tresmalhavam-se pelas franjas
engalfinhados nas sombras
soltando fagulhas de lume.

Estas ódes de um Deus só
prenhes de impasse e fastio
não ousam pois,pisar o meio
e a podridão não vai só!...

Inflamados..., são os olhares
ao vêr desfilar tanta besta
que das vidas que lhes resta
consomem-se, e a seus pares.

Desfilam no tempo passado
num impasse, sem futuro
que os cravos desse chão duro
são manchas de triste fado.

MC
 

publicado por mcarvas às 17:38

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