A vida no seu começo

06.11.08


Vagueio por entre a folhagem
trazida por ventos de outono
onde tudo é abandono
nas margens desta passagem.

O grilo que já não canta
já marcou o seu terreno
bem no cimo daquele ermo
que no inverno o sustenta.

O caminho lá vou seguindo
por entre fragas e penêdos.
Alguns acordam mêdos
nestes tempos de degrêdo.

Bem no cimo daquela escarpa
um barulho de espantar
vê-se uma fraga tão impar
com uma face lisa e limpa.

Abeiro-me do penhasco
e um ruído de entroar...
É um mar d'àgua a brotar
A vida no seu começo!...

MC

 

publicado por mcarvas às 15:15

Urro de estremecer

23.10.08


O sol já ia alto
quando um urro de estremecer
deixou tudo a temer...
até o chão deu um salto!

O que poderia ser
que urro tão forte soltara?
Outro igual não se vira!
Que estava para acontecer?

E o sol logo se escondeu
pondo tudo a tremer
tremer por não saber
porque o dia escureceu!...

Na serra, mesmo ali ao lado
fumo e fogo surgiu
e tudo dali fugiu;
A serra tinha acordado.

Cuspia p'ro céu fogo e fragas
e logo, um manto escuro e quente
que seguia p'ra ocidente
denunciou novas vagas.

Uma golfada de fogo escorreu
pelas escarpas da serra
engolindo até a terra
que de proteu escareceu.

MC

 

publicado por mcarvas às 19:03

Cesário

22.10.08


Do alto do campanário
vi montes, vi fontes
até a velhinha ponte
onde cantava o Cesário.

Seu nome ficou Cesário
por seu cantar miudínho
mas era só um passarinho
muito altivo, um canário.

Eriçava a plumagem
empoleirado n'um galho
cantar, o seu trabalho
escondido na folhagem.

Quando o sol espreitava
saltava logo p'ra ponte
mesmo ao lado tinha a fonte
onde também se banhava!

Harmonia de lugar
um lugar encantado
que sem sombra de pecado
a todos dava um lar.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:26

Ao passar

22.10.08


Ao passar n'um cumieiro
parei! Mirei a paisagem
Barrou-me uma leve aragem
querendo chegar primeiro.

Pairava no ar um odor
sublime em sua leveza
fruto da natureza
impregnado de flores.

A primavera em seu explendor
desabrocha na ribeira
faz florir a cerejeira
rebentam os montes de côr.

Em todo canto espreita vida
os sons são de alegria
anda tudo em correria
é chegada nova vida.

É nesta harmonia
que faz pulsar a vida
que ela se torna aguerrida
carregada de euforia.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:25

Raio de luz

15.10.08


Certo dia um girasol
perto de um raio de luz,
sorriu de frente para o sol
desse geito em que ele sedûz!

Deu por si tão perto d' àgua,
deu de si tanta amizade
que de si perdeu a mágua
e se esqueceu da saudade.

Por ali fui passeando,
do tempo perdendo o passo...
Perdi-me e lá fui ficando
e a seu lado anseio e enlaço!

Ambos sentindo a corrente
que correndo quase abraça;
Quem nos visse de repente
riria de tanta graça.

E sentados junto ao rio
eu com ela e ela comigo
nem sabemos a côr do frio
pois sempre estou contigo!...

 

MC

 

publicado por mcarvas às 18:05

Uma gota de orvalho

15.10.08


 Ressalta no arvorêdo
singela gota de orvalho
de tudo ela tem mêdo
e a todos dá trabalho.

De prantos se cobre o prado;
Em seu seio brada a garça
sempre tão cheia de graça
em lamentos do seu fado.

Eis que em frondoso recanto
o melro expõe o seu canto
em tons de euforia e pranto
sobre tão luzídio manto.

De tão grandiosa beleza
ressalta subtíl mistério
entre o demo e o etéreo!...
É força da natureza.
 

MC

publicado por mcarvas às 12:48

Olhinhos pequeninos

14.10.08


Uma borboleta esvoaçou
frágil corpo a pairar
tentando sulcar o ar
e no beiral ela pousou.

Pousou, e p'ra mim olhou
com seus olhitos pequeninos
um corpinho tão franzino
que em meu beiral descançou.

Falou-me da sua vida
e em seu prazer de voar
de todas as flores beijar
e de todas desejada.

As suas azinha bateu
e docemente a elevei
para ela a olhar fiquei
para longe ela voou.

MC

 

publicado por mcarvas às 21:08

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