Sentir Difuso

21.11.13

Em tuas faces rosadas 
Vi enlevos de paixão 
Ternura, compreensão 
Rubores de exaltação. 

Vi todas as coisas tomadas 
E outras, em pousio formadas 
O mundo tao intenso 
Um sentir tao difuso 
Um corolário imenso 
Pensar-te o meu sustento. 

Por ti, guerras tomei 
E outras tantas que ousei 
Por ti, em mim me fiquei!... 

Dorme em paz
Contigo 
Minha alma jaz. 

MC

publicado por mcarvas às 06:33

Resumindo

16.08.13

Corria o ano de 2013,na entrada do verão

Quando um fusco mal passado

Saca injúrias deprimentes

E num rebate consciente

Bolsa com pompa a demissão.

Há muito tal pejo ausente

Lhe tinha toldado a razão...

Logo a swap desvairada

Já solta e desinibida

Melada por tanta Europa

E pela santa cornucópia

Eriçou franja e poupa

Que só de uma assentada

Na cadeira foi bolçada

Para gerar netos e tios

E muitos filhos gentios

Quejandos de pretendentes

E credores de ilusões

Prostraram-se em contemplação

Onde mais meter a mão.

O assanho foi total

Quan breve surgiu no largo

Excomungando o cargo

Afoito, o puto do taxi

Que para não fugir á praxis

Defeca suja demissão.

Envolto em irrevogável sinal

Com ténue ponto de luz

Pois esteva prenhe de pus

Eis que de uma so penada

Com anteparas esfarrapadas

Ainda o morto estava quente

Dá o dito,por não dito

Não vá surgir assaz pretendente

Solta um ar muito expedito

De um actor,deveras sabido

Embolsa outra comissão

Com rasgo de forte razão.

Foi tal o cacarejar

Que se ergueu no quintal

Que as galinhas exauridas

Em já forte pantanal

Largaram milho aos pombos

Para assentar o vendaval

Que lá dos lados d'além

Bem no centro de matusalém

Onde o vento vai e vem

Surge um odre em seu totem

Com sua crista emplumada

Um comensal,vulgo irado

Lá pá ilha dos patolas

Que sem sequer olhar pró lado

Numa sonata de mercados

Os volta a colar de novo

Bem no seio deste povo

Que de lorpa,já tem tudo

Pois de tão cego,surdo e mudo

Acantonou de gandaia

No extenso grude da praia

Esperando que á porta,Agosto

Que já solta cheiro a mostro

E muita estrela cadente

Lhe bolceie de presente

O que nunca alcançou

Nem por tal lutar ousou!

Tem em sorte o que lhe calhou

Coisa potrida e esbaforida

Que é pois bem mais que merecida.

 

MC

publicado por mcarvas às 23:13

LETRAS SÓ

03.04.13

À caneta prazenteira

Lhe confio a palavra

Que letra a letra, ela grava

Na folha a sementeira.

 

Vagueia então a distância

Nesta tão certa presença

Uma incerta aliança

Da frescura dessa ausência.

 

Seguimos por mundos distantes

Centros de luta bravia

Em todos, farta euforia

Cheios de feitos constantes.

 

Nesta doce alegoria

De palmilhar tanto mundo

Tão breve se fica mudo

E  medra a melancolia.

 

Dois seres dentro de um so

Numa contenda constante

Uma peleja incessante

Sem curta pausa, nem dó.

 

Trazer mundos ao mundo

Surreal contemplação

Que nasce da comunhão

Qua a caneta tem por fundo!...

 

Soltas, alcançam barreiras

Semeando a desordem

Mesmo que o não notem

Juntas vencem fronteiras!...

 

MC

 

publicado por mcarvas às 15:29

Princesinha

01.03.13

O cheiro a terra molhada

E logo se arreda o cacimbo

Lavando todo esse limbo

Gravando nova alvorada.

 

Negage dos mil amores

Que cantas letras antigas

E todas as tuas cantigas

Se alvitram de primores.

 

Da capopa ao caricoco

Da praça cheia de graça

Espelhas toda a tua raça

Nos olhos de ti, nobre moça!

 

Negage, terra de encantos

E gentes de todo o lado

Que ao sentirem o teu fado

Logo te ficam pendentes.

 

A fuligem da queimada

Que ao longe se ouve estalar

Eleva teu cheiro no ar

Negage, terra prendada.

 

Enlevo pois, tuas dores

Bem alto no firmamento

Em ti pouso, o pensamento

Oh terra de meus amores.

 

MC

publicado por mcarvas às 16:06

PRAÇA DOS SILÊNCIOS

26.02.13

O vôo da noite, pousou

Sobre o lugarejo perdido

Entre o xisto empedernido

Nem de espreitar, alguém ousou!

 

Com seu uivo arrebeta

As franjas que o luar semeou

Sob si já domou

O trapo de luz que desbota.

 

Passos de fraca firmeza

Ecoam na escarpa encravada

Calcando carreiros do nada

Vagueia envolta em tristeza.

 

A cria do homem tem mêdo

Mêdo de não ver mais além

Curte na noite o desdem

Da luz que lhe foge, tão cedo!

 

Que praças de silêncios estes

que não vislumbram ninguém!

Tolhem caminhos que vêm

Gerem arribas funestas!...

 

A crias do homem, tem mêdo

Mêdo de não ir mais além!...

 

MC

publicado por mcarvas às 10:51

LEMBRANÇAS

03.08.12

As ondas que se levantam

Trazendo ventos de esperança

Quiçá, tempos de rica bonança

Em todo que é velho suplantam.

 

Cavalgam em suas cristas

Avantajadas esperanças

Crispam-se em brigas e rixas

Das mais íngremes já viatas.

 

Nesse sal, se purga a alma

Numa salmoura à deriva

Nesses prados sem guarída

Trópega, se enrola na espuma.

 

Oh saudosos madrigais

Que de côr tudo pulsava

Sublime trova ladrava

no cêrco dos vendavais.

 

Que os sois brilhantes de outrora

Sejam engolidos nas trevas

Com suas fortes prêsas

Rasguem o depois, o agora!...

 

MC

publicado por mcarvas às 18:29

Cinzas

30.05.11


Surreal a luz que brota
por entre gemidos já cumpridos
sonhos antigos perdidos
novas vénais de desfeita.

O vão triste e soturno
feito de palha e de cinzas
perdeu-se em divas e ninfas
num ciclo pobre, sem sono.

Lampejam caminhos desfeitos
do outrora virtuoso
com riso largo e jucoso
velados por cinzas de despeito.

Tropego o dia nascido
que em míngua se acomodou
e é nesta volta da roda
que o nada de tudo é traçado.

Cantares, leva-os um sopro
por essas palhas ardidas
pousam olhares desvaridos
na dança funesta de um logro!...

MC

publicado por mcarvas às 16:08

Enfim

30.05.11


Pendiam tranças douradas
num crepúsculo permiçoso
e um luar ocioso
já aspirava madrugadas.

Olulam névoas soturnas
com um manto malfadado
filhas de dotes prendados
medram em seu seio vaidades!

Lentamente vai crescendo
vestindo-se em escuridão
é um negro de paixão...
que cresce, cresce, morrendo.

De janelas em cascata
galga sucalcos perdidos
é nesse manto empedernido
que a força do vigor se esgota.

Brotam grinaldas num todo
consumindo a meia luz
membros já prenhes de puz
ceifam lamúrais a rodos.

Nessa paixão de sentidos
onde engorda a madrugada
rebola su pança inchada
cheia de filhos gentios!...

MC


 

publicado por mcarvas às 16:05

Olhares

14.12.10

Inglório sentido do texto 

que invoca coisa louca

mas a fé é já tão pouca

sob uma réstia de encanto.

 

No bolúcio que se adensa

contornos há sinuosos

ardilosos, são testigos

de quem os intenta na avensa.

 

Vil é o ardor que expelem

de intrigas e conjuras

repastam-se os ímpios nas juras

espojam justos nas purgas!...

 

Azuis, verdes castanhos

ou pretos mui denegridos

são tantos os escolhidos

e muitos mais esquecidos.

 

A luz como compassso

e um traço a dar mote

mesmo que já não se note

marca sempre o mesmo passo.

 

Mas esses castanhos,

leais que de os ver solta-se um ai

onde toda a força cai

por tantos,tantos, muitos mais.

 

MC

publicado por mcarvas às 19:06

Área

26.05.10


Some-te inglório sentido
que soltas vento quando passas
esse vento da desgraça
que da lama foi erguido.

Chafurdas tu em vida alheia
lavrando só o gentio
que de amores não reza um pio
na pujança de um rendeiro.

E as vagas de vagalumes
em seus castelos de cartas
nessas paragens são a nata
da sociedade de lama.

Proclamas dúbio sentido
com nefasta altercação
que nem na longínqua constelação
ousaria ser convertido.

Nos receios da concórdia
expeles joio pela venta
para atiçar a contenda
p´ra semear a discórdia.

Que vás por essas paragens
e nos carreiros te desnudem
que não te sobre penugem
nem retorno na viagem.

Que os ares que aqui deixas-te
se possam pois desvanecer
que o verde volte a crescer
sobre o jugo que largas-te.

Sigam-te silvas em magotes
e rasguem tudo que possam
as dores contigo socumbam
sobre o peso do archote.

Arre!...

MC

publicado por mcarvas às 02:50

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