CULTO

13.03.13

Não mais cravos ou rosas

Não mais incúria de mente

Não mais este viver temente

Não mais este jardim de prosas.

 

A ruína de um canteiro 

Qual jardim encantado

Ensombrado, malfadado

Por este, vulgo mensageiro.

 

Decano das esplanadas

Mestre em artes circenses

A plebe de tão decadente

Joga-lhe coutos de emboscada!

 

Logo a prol sai a terreiro

Vincados na alta faiança

Rogando encher de dança

E terem um olho certeiro...

 

Carregam setas e centros

E cacos por todo o lado

Que este povo enrascado

Não sabe ler os letreiros.

 

É um arrastar de pandilhas

No palácio das cadeiras

Já são tantas as candeias

Para alumiar mareais!

 

Do pêso de seus alforges

Já o jumento resmunga

E logo o Prior excomunga

Os passos tortos do Borges.

 

Mas o ogre esbaforido

Salta a cerca do consórcio

Impelido por doce ócio

Crava-lhe farpas destemido.

 

Os malandros mais a monte

De branco e trapos vermelhos

Que tão prenhes de jumentos

Largam-lhe coros em mote.

 

Mas em suas necessidades

O curro de maltrapilhos

Envoltos nos espartilhos

Logo difundem vaidades.

 

O cerco, já vai no adro

E os faustos foçam no odre

Que já nem o cheiro a podre

Os expele do agrado.

 

Mais a jusante, lindos muros!

Todos pintados de rosa

Onde alguns colhem à grosa

E são paridos tantos burros.

 

Da canalha, já tem medo

E nos canteiros se esconde

Pois já não sabe para onde

Nem se o dia se faz cedo.

 

Nesse pensar permanente

De só as reformas papar

Há que mais uma mamar

Quando ficar pendente.

 

Saltam-lhe as falas pausadas

Das olheiras do encharcado

Que roga pragas de enfado

Às previsões malfadadas.

 

Logo o puto da lambreta

Na sua ciência exacta

Foça, escava desbarata

Sem nem sujar a gravata.

 

Larga enredos à toa

E lamúrias desmedidas

Vê-as tão breve detidas

Em seu A-8, com proa.

 

Mas eis que chega, altivo

O courato d'além mar

A passo, com falta de ar

P'ra mais um dia festivo.

 

Saltam-lhe ideias à frente

Sem as ousar arrolar

Logo se põe a ladrar

Nas bestas que lhe dão o mote.

 

O pequenito do frio

Que chegou teso e rijo

Sem qualquer prejuízo

Corre já solto, sem freio.

 

Com sua testa de jazigo

E ideias de arriba

Só lhe cresce a barriga

Já para fora do abrigo.

 

A relva, cresce a reboque

Nos planos de equivalências

São tantas as valências

Que os cursos saltam ao toque.

 

Por percalço da mente

Os agora aqui esquecidos

Não fiquem pões esbaforidos

Serão lembrados certamente.

 

Estas hostes de um deus só

Que pandilham na finança

Lambuzam, enchem a pança

E a praga nunca vem só!...

 

MC

publicado por mcarvas às 14:57

Princesinha

01.03.13

O cheiro a terra molhada

E logo se arreda o cacimbo

Lavando todo esse limbo

Gravando nova alvorada.

 

Negage dos mil amores

Que cantas letras antigas

E todas as tuas cantigas

Se alvitram de primores.

 

Da capopa ao caricoco

Da praça cheia de graça

Espelhas toda a tua raça

Nos olhos de ti, nobre moça!

 

Negage, terra de encantos

E gentes de todo o lado

Que ao sentirem o teu fado

Logo te ficam pendentes.

 

A fuligem da queimada

Que ao longe se ouve estalar

Eleva teu cheiro no ar

Negage, terra prendada.

 

Enlevo pois, tuas dores

Bem alto no firmamento

Em ti pouso, o pensamento

Oh terra de meus amores.

 

MC

publicado por mcarvas às 16:06

Palavras vâs

10.11.08


As honrarias da pátria
versadas entre senhores
e também alguns doutores
mas negam-se aos esturpores
que a guerra por eles faria.

Para isso têm a plebe
que juntos eles escomungam
para fazer o que eles mandam
qualquer acto lhes serve.

Mas se a pátria viram tomada
fogem todos sem temor
tentando por tudo esconder
os actos de suas jornadas.

São todos estes senhores
que de élite se apelidam
em todos os cantos vasculham
as sombras de seus credores.

Quando sobem ao poder
doutos já julgam sêr
engendram já a antevêr
leis a seu belo prazer.

O ditado já o dizia
o povo tem memória curta
fala, mas muito mal escuta
senão não os elegia.

São estes fazedores de sonhos
que usam a palavra como arma
mentindo para manterem a trama
devassam, montam patranhas.

Para subirem um degrau
que os conduza à cadeira
até chafurdam na feira...
por eles nada está mau.

O povo não tem saber
e muito pouco querer
senão, como voltam a meter
esses senhores no poder?

MC

 

publicado por mcarvas às 19:16

Um Passarinho pintou

28.10.08


Um passarinho encantado
soltando um piar forte
chamava os ventos do norte
num cantico aveludado.

Tudo o passarinho pintou...
O ar, ficou mais denso
e o frio mais intenso
quando de pintar parou!...

O vento, por fim chegou
e o passarinho partiu.
Partiu, não mais se viu
Mas sua pintura ficou!

De branco, tudo cobriu
até os pinheiros tapou
o vento, também parou
ao vêr o que ele pintou.

 

publicado por mcarvas às 19:02

Corredores do poder

22.10.08


As iguarías d'alguns
revestem-se de pratos fartos
luxos, mas fracos actos
deixando outros sem nenhum.
A sociedade de hoje
já está moribunda
só ainda não percebeu
que já é defunta.
A honra já se perdeu
que de valores tudo tolhe
e é nesta premíscua vaidade
que ostentam seus haveres!
Para nada têm deveres
expondo a desigualdade;
Nos corredores do poder
onde amealham gabinetes
pagam favores
cobram fretes
para o poder não perder!...
A sociedade está morta
pejada, de doutos e doutores
a que se perdeu já a conta.
É nesta ferocidade
que vão consumindo o povo
que dia a dia, perde de novo
toda a sua mocidade.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:22

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