LETRAS SÓ

03.04.13

À caneta prazenteira

Lhe confio a palavra

Que letra a letra, ela grava

Na folha a sementeira.

 

Vagueia então a distância

Nesta tão certa presença

Uma incerta aliança

Da frescura dessa ausência.

 

Seguimos por mundos distantes

Centros de luta bravia

Em todos, farta euforia

Cheios de feitos constantes.

 

Nesta doce alegoria

De palmilhar tanto mundo

Tão breve se fica mudo

E  medra a melancolia.

 

Dois seres dentro de um so

Numa contenda constante

Uma peleja incessante

Sem curta pausa, nem dó.

 

Trazer mundos ao mundo

Surreal contemplação

Que nasce da comunhão

Qua a caneta tem por fundo!...

 

Soltas, alcançam barreiras

Semeando a desordem

Mesmo que o não notem

Juntas vencem fronteiras!...

 

MC

 

publicado por mcarvas às 15:29

ESPERANTO

03.04.13

Que cachos tão engraçados

De um sublime traçado

Que compoêm teu penteado

Num singelo enlaçado.

 

As cores que os transportam

Eleiam coros divinos

Quam puros e cristalinos

Que mil invejas, te auguram.

 

As ruas, pasmam de espanto

Ao te sentirem passar

E teu passo de embalar

As faz sibilar em esperanto!

 

Tingem-se em frutos de mel 

Para olvidares teus caminho

E um aroma de azevinho

Dá-lhes um tom em pastel.

 

Alongam-se de mansinho

Ao te sentirem passar

Transpira nas outra, um pasmar

 

E num rancor de ancorar

Ouve-se forte crepitar

Num rangido miudinho!...

 

MC

publicado por mcarvas às 15:25

Desvarios

26.03.13

A mente, encerra em si

Ciclos de um vai e vem

Pausas p'ra ver quem tem

 

Vestes que pousam em ti

Traços, que crescem em mim

Sombras que vingam sem fim!...

 

MC

publicado por mcarvas às 17:42

MAR D'ÀGUA

26.03.13

Medram hostes, do nada

Vertidas em campos rosados

Tolhem, todos os prados

Sortes estas, malfadadas.

 

 

Senti-te baixinho a orar

Chorando, bem junto a mim

E num crepitar sem fim

Teus olhos a marear!

 

O mar d'àgua se esbateu

E logo o sol despontou

De fulgor, tudo tomou

Quando em ti se deitou.

 

Honraria, te seja feita

 Sem desdém ou preconceito

Vingue forte em teu peito

A liça de tua desfeita.

 

Campina, de olhos tristes

Carregas em ti forte peso

Essa cruz de arremesso

Cavalgando tempo agreste!

 

Voa bem alto franzina

De roupagem colorida

Seja a luz, tua guarida

Num mar de despedida.

 

MC

publicado por mcarvas às 17:28

CENTELHA

19.03.13

Um botãozinho de rosa

Segredou-me de mansinho

Que lhe lesse bem baixinho

Letras de rima, e prosa.

 

Disse-lhe baixinho também

Que rosas, não tem a vida

Rimas, é só a guarida

Que esta vida não tem.

 

Seus olhos grandes, a marear

Ferveram de espasmo, e pranto

Escorrem forte, até quando...

Trapos d'alma encharcados.

 

Perguntei-lhe com temor

De lhe provocar pavor

Centelha, por favor

O que te traz tanta dor?

 

Fitou-me breve de espanto

Por centelha lhe chamar

Que há muito, não ouvia clamar

E ser centelha seu fado!...

 

Soltei-lhe breve, uma rima

Para lhe lavar o fado

Tirar o jugo pesado

De seu rosto de menina.

 

Centelha de luz pequena

Que brilhas, bem junto a mim

Nasçam risos sem fim

Em teus lindos olhos, morena.

 

Rasguem-se os céus telha a telha

Conjurando novo lema

Germine em ti mente amena

Morena, linda centelha.

 

Um Anjo, subiu aos céus

Sobre os braços de morfeu

Levando pensamentos meus

Que agora, também são teus.

 

MC

publicado por mcarvas às 16:17

CONDESSA

19.03.13

Condessa, Condessa mia

Que trazes na alcofa escondida?

Serão frutos de pele despedida

Que na alcova tua Aia fia?

 

Diz-me Condessa, de teus ais...

Quantos soltas por passada?

Pois teus passos enlaçados

Soltam nos Pajens muitos mais!

 

Teus olhos senhora, de cor de amendoa

São luzes deste lugar

O sol mero luar

E seus raios, em ti entoa.

 

Senhora, raio de luz

Que espelhas todo o condado

Sempre que passa no adro

A noite se verga à cruz.

 

Diz-me Condessa singela

Que trajes esses te tecem

Pois mais de aia parecem

 

Sempre que estás à janela

Sorris límpida, sem desdém

Mesmo para alguém sem vintém!

 

Diz-me pois, cara Senhora

Que medos te medram no peito

E te tomam de trejeito?

 

Que as nuvens se adensem a eito

Gravando em si teu feito

E lavem teus medos, agora.

 

MC

 

publicado por mcarvas às 15:59

Princesinha

01.03.13

O cheiro a terra molhada

E logo se arreda o cacimbo

Lavando todo esse limbo

Gravando nova alvorada.

 

Negage dos mil amores

Que cantas letras antigas

E todas as tuas cantigas

Se alvitram de primores.

 

Da capopa ao caricoco

Da praça cheia de graça

Espelhas toda a tua raça

Nos olhos de ti, nobre moça!

 

Negage, terra de encantos

E gentes de todo o lado

Que ao sentirem o teu fado

Logo te ficam pendentes.

 

A fuligem da queimada

Que ao longe se ouve estalar

Eleva teu cheiro no ar

Negage, terra prendada.

 

Enlevo pois, tuas dores

Bem alto no firmamento

Em ti pouso, o pensamento

Oh terra de meus amores.

 

MC

publicado por mcarvas às 16:06

PRAÇA DOS SILÊNCIOS

26.02.13

O vôo da noite, pousou

Sobre o lugarejo perdido

Entre o xisto empedernido

Nem de espreitar, alguém ousou!

 

Com seu uivo arrebeta

As franjas que o luar semeou

Sob si já domou

O trapo de luz que desbota.

 

Passos de fraca firmeza

Ecoam na escarpa encravada

Calcando carreiros do nada

Vagueia envolta em tristeza.

 

A cria do homem tem mêdo

Mêdo de não ver mais além

Curte na noite o desdem

Da luz que lhe foge, tão cedo!

 

Que praças de silêncios estes

que não vislumbram ninguém!

Tolhem caminhos que vêm

Gerem arribas funestas!...

 

A crias do homem, tem mêdo

Mêdo de não ir mais além!...

 

MC

publicado por mcarvas às 10:51

FORJAS

26.02.13

Canta-lo é enternece-lo

Envolve-lo pois, de mansinho

vesti-lo sim, de azevinho

É não mais querer esquece-lo!

 

O manto que cobre a aurora

cavalga ventos do norte

Uiva nos vales tão forte

Fedendo por dentro e por fora...

 

Trémula a luz serpenteia

Por entre folhados escondidos

quiçá, veledas perdidas

Neste cosmo que enxameia.

 

Despi-lo pois dessas franjas

Que de tão,... em si se alongam

tão vastas são que prolongam

A rudeza destas forjas!

 

Malham o passado, presente

Num grito forte, tão escuro

Senti-lo, é já tão duro

Que o tempo se apaga ausente.

 

MC

publicado por mcarvas às 10:38

PERDA TUA

29.01.13

Sorriu virado pró céu

Nesse gesto tão so seu

Sonhos vivos, sonhos deu

Sonhos levou e perdeu!

 

Brilha bem alto, bem longe

Tão longe, bem perto de mim

Tão forte pulsa sem mim

Sem fim, teu brilho em mim.

 

Vela su alma, meu Deus

Já que de mim o roubas-te

Tudo tão meu Tú tomas-te

Meus, que agora são teus!

 

Este manto que me assombra

Alonga-se em mim de lembranças

Gentias são suas tranças

Plantio de esteiros e sombra.

 

Vida dura, vida nua

Que sulca dentro do peito

Rasga pois, bem tudo a eito

Desta perda em vida, a tua!...

 

MC

publicado por mcarvas às 17:52

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