Resumindo

16.08.13

Corria o ano de 2013,na entrada do verão

Quando um fusco mal passado

Saca injúrias deprimentes

E num rebate consciente

Bolsa com pompa a demissão.

Há muito tal pejo ausente

Lhe tinha toldado a razão...

Logo a swap desvairada

Já solta e desinibida

Melada por tanta Europa

E pela santa cornucópia

Eriçou franja e poupa

Que só de uma assentada

Na cadeira foi bolçada

Para gerar netos e tios

E muitos filhos gentios

Quejandos de pretendentes

E credores de ilusões

Prostraram-se em contemplação

Onde mais meter a mão.

O assanho foi total

Quan breve surgiu no largo

Excomungando o cargo

Afoito, o puto do taxi

Que para não fugir á praxis

Defeca suja demissão.

Envolto em irrevogável sinal

Com ténue ponto de luz

Pois esteva prenhe de pus

Eis que de uma so penada

Com anteparas esfarrapadas

Ainda o morto estava quente

Dá o dito,por não dito

Não vá surgir assaz pretendente

Solta um ar muito expedito

De um actor,deveras sabido

Embolsa outra comissão

Com rasgo de forte razão.

Foi tal o cacarejar

Que se ergueu no quintal

Que as galinhas exauridas

Em já forte pantanal

Largaram milho aos pombos

Para assentar o vendaval

Que lá dos lados d'além

Bem no centro de matusalém

Onde o vento vai e vem

Surge um odre em seu totem

Com sua crista emplumada

Um comensal,vulgo irado

Lá pá ilha dos patolas

Que sem sequer olhar pró lado

Numa sonata de mercados

Os volta a colar de novo

Bem no seio deste povo

Que de lorpa,já tem tudo

Pois de tão cego,surdo e mudo

Acantonou de gandaia

No extenso grude da praia

Esperando que á porta,Agosto

Que já solta cheiro a mostro

E muita estrela cadente

Lhe bolceie de presente

O que nunca alcançou

Nem por tal lutar ousou!

Tem em sorte o que lhe calhou

Coisa potrida e esbaforida

Que é pois bem mais que merecida.

 

MC

publicado por mcarvas às 23:13

CULTO

13.03.13

Não mais cravos ou rosas

Não mais incúria de mente

Não mais este viver temente

Não mais este jardim de prosas.

 

A ruína de um canteiro 

Qual jardim encantado

Ensombrado, malfadado

Por este, vulgo mensageiro.

 

Decano das esplanadas

Mestre em artes circenses

A plebe de tão decadente

Joga-lhe coutos de emboscada!

 

Logo a prol sai a terreiro

Vincados na alta faiança

Rogando encher de dança

E terem um olho certeiro...

 

Carregam setas e centros

E cacos por todo o lado

Que este povo enrascado

Não sabe ler os letreiros.

 

É um arrastar de pandilhas

No palácio das cadeiras

Já são tantas as candeias

Para alumiar mareais!

 

Do pêso de seus alforges

Já o jumento resmunga

E logo o Prior excomunga

Os passos tortos do Borges.

 

Mas o ogre esbaforido

Salta a cerca do consórcio

Impelido por doce ócio

Crava-lhe farpas destemido.

 

Os malandros mais a monte

De branco e trapos vermelhos

Que tão prenhes de jumentos

Largam-lhe coros em mote.

 

Mas em suas necessidades

O curro de maltrapilhos

Envoltos nos espartilhos

Logo difundem vaidades.

 

O cerco, já vai no adro

E os faustos foçam no odre

Que já nem o cheiro a podre

Os expele do agrado.

 

Mais a jusante, lindos muros!

Todos pintados de rosa

Onde alguns colhem à grosa

E são paridos tantos burros.

 

Da canalha, já tem medo

E nos canteiros se esconde

Pois já não sabe para onde

Nem se o dia se faz cedo.

 

Nesse pensar permanente

De só as reformas papar

Há que mais uma mamar

Quando ficar pendente.

 

Saltam-lhe as falas pausadas

Das olheiras do encharcado

Que roga pragas de enfado

Às previsões malfadadas.

 

Logo o puto da lambreta

Na sua ciência exacta

Foça, escava desbarata

Sem nem sujar a gravata.

 

Larga enredos à toa

E lamúrias desmedidas

Vê-as tão breve detidas

Em seu A-8, com proa.

 

Mas eis que chega, altivo

O courato d'além mar

A passo, com falta de ar

P'ra mais um dia festivo.

 

Saltam-lhe ideias à frente

Sem as ousar arrolar

Logo se põe a ladrar

Nas bestas que lhe dão o mote.

 

O pequenito do frio

Que chegou teso e rijo

Sem qualquer prejuízo

Corre já solto, sem freio.

 

Com sua testa de jazigo

E ideias de arriba

Só lhe cresce a barriga

Já para fora do abrigo.

 

A relva, cresce a reboque

Nos planos de equivalências

São tantas as valências

Que os cursos saltam ao toque.

 

Por percalço da mente

Os agora aqui esquecidos

Não fiquem pões esbaforidos

Serão lembrados certamente.

 

Estas hostes de um deus só

Que pandilham na finança

Lambuzam, enchem a pança

E a praga nunca vem só!...

 

MC

publicado por mcarvas às 14:57

Funesto Abril

20.07.10

Acordou um dia o povo

a ver nascer o Abril

sem saber que era ardil

logo amassou o renovo...

 

Nesse dia tão funesto

engalanou-se de rosa

do cravo, não mais que prosa

resquíssios do pensamento!

 

No jugo que lhe cravaram

tres prêgos se sobressaiem

Ajuda, Belém e São Bento

p'ra ninguém ter o intento

de fugir ao julgamento.

 

Somam-se leis numa arena

de interesses alterneiros

que os sirva por inteiro

mesmo banidos da cena!...

 

Nos corredores de S. Bento

a ganância vai de pé

que o povo perdeu a fé

e a praga nunca vem só!

 

Em Belém, é já um facto

arrolha-se forte a quermesse

rebuscam fuçando benesses

e fausto seja seu prato.

 

Em leilão rolam os cargos

para honrar o compadrio

pois é já num redopio

que se partilham os tachos.

 

A honra morreu solteira

lá p'rá Ajuda alternadeira

que sob tanta abestinência

não mais cai da cadeira...

 

Honrarias, mais que muitas

engalanados de prôsa

pois que entre a seta e a rosa

lambuza-se tanto agiota!

 

P'ra deixar a coisa certa

à centros e trapos vermelhos

soltos ao vento, qual espelho

saltam juntos p'rá colecta!...

 

Peito inchado qual pavões

nessa tal de coisa pública

é so por mais uma rúbrica

e p'ró bolso uns milhões...

 

Quando algo há para assumir

a culpa morre solteira

é vê-los de qualquer maneira

por onde calha fugir.

 

Sucumbe de novo o povo

pela cobiça de alguns

pois pudor não têm nenhum

e o velho vinga de novo!

 

Triste a sina desse povo

ao se julgar de cuidado

sem sequer olhar p'ró lado

volta a elegê-los de novo.

 

Honram-no pois com o chicote

não vá andar à deriva

e para manter a coisa viva

aos comensais, o lingote!...

 

MC

 

 

 

publicado por mcarvas às 22:20

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