Traços

17.01.09


Um embrulhado de formas
passeava-se pelos céus
sxpondo Deuses ateus
vociferando suas normas.

O vento que então soprava
tocando nuvens em rebanho
entre rasgos de clarões tamanhos
enquanto o trovão ribombava!

Pronto se vestiu de pranto
com um forte cheiro a cinza
que tomou toda a brisa
no poço do esquecimento.

Abrem-se então os portais
a chuva caíndo em bátegas
soltando fortes golfadas
era o vale dos vendavais!...

Onde não pousa terna ave
nem o mais ousado dos animais
intenta transpor seus portais
receios que em mente agrave.

Ou seja tomado em seus braços
este gosto a sal pimenta
que por todo o chão fermenta
quebrando todos os traços.

Nascem demónios putridos
que vertem névoas e sombras
sempre que mais um ser tomba
há festa e risos garridos.

É neste antrio de perdição
que os mêdos mais se afloram
por tudo, já fragas choram
tomando por sua a paixão.

Estes portais lizídios
que cativam a entrada
depois de linha quebrada
renascem filhos perdidos.

Vergados, o silêncio temem
o silêncio que então dorme
o silêncio que consome
é o princípio do fim!...

MC

 

publicado por mcarvas às 21:08

Mar alto

06.12.08


Rema rema pescador
lança tuas rêdes ao mar
possa o mar abençoar
o condão de um sonhador.

Se o mar estiver de feição
não te canses de remar
e em àguas rasas largar
as rêdes da criação.

Que venham prênhes, tão cheias
de virtudes tão formosas
que tragam uma cesta de rosas
p'ra prosa de tia ceia.

Bafege-te o mar essa sorte
e a teus sonhar tomar
poder-te depois largar
nos braços de tua consorte.

Rema rema pescador
não te canses de remar
não te esqueças de alcançar
as sendas de um sonhador.

Rema rema, sonhador!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:54

Palavras vâs

10.11.08


As honrarias da pátria
versadas entre senhores
e também alguns doutores
mas negam-se aos esturpores
que a guerra por eles faria.

Para isso têm a plebe
que juntos eles escomungam
para fazer o que eles mandam
qualquer acto lhes serve.

Mas se a pátria viram tomada
fogem todos sem temor
tentando por tudo esconder
os actos de suas jornadas.

São todos estes senhores
que de élite se apelidam
em todos os cantos vasculham
as sombras de seus credores.

Quando sobem ao poder
doutos já julgam sêr
engendram já a antevêr
leis a seu belo prazer.

O ditado já o dizia
o povo tem memória curta
fala, mas muito mal escuta
senão não os elegia.

São estes fazedores de sonhos
que usam a palavra como arma
mentindo para manterem a trama
devassam, montam patranhas.

Para subirem um degrau
que os conduza à cadeira
até chafurdam na feira...
por eles nada está mau.

O povo não tem saber
e muito pouco querer
senão, como voltam a meter
esses senhores no poder?

MC

 

publicado por mcarvas às 19:16

A vida no seu começo

06.11.08


Vagueio por entre a folhagem
trazida por ventos de outono
onde tudo é abandono
nas margens desta passagem.

O grilo que já não canta
já marcou o seu terreno
bem no cimo daquele ermo
que no inverno o sustenta.

O caminho lá vou seguindo
por entre fragas e penêdos.
Alguns acordam mêdos
nestes tempos de degrêdo.

Bem no cimo daquela escarpa
um barulho de espantar
vê-se uma fraga tão impar
com uma face lisa e limpa.

Abeiro-me do penhasco
e um ruído de entroar...
É um mar d'àgua a brotar
A vida no seu começo!...

MC

 

publicado por mcarvas às 15:15

Ondas revoltas

05.11.08


Uma pedrinha brincava
nas ondas do mar revolto
escarecendo do mais devoto
que ao mar, seus males jogava.

E foi nesta união
que a pedrinha caíu
e logo ali se partiu

nas ondas, não mais surgiu!
Ao mar ela se uniu
em completa comunhão!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:14

Vestiu-se de luar

05.11.08


A noite vestiu-se de luar
saíu nua pela rua
pousou sua mão nua
n'um riacho a palpitar!

Espelhou seu ar de amante
nas àguas do acreditar
não mais parou de pensar
em aventuras distantes...

Olhou p'ras estrelas, sorriu
e uma estrela velhinha
pensando que luz já não tinha
novos caminhos abriu.

E um manto de luz cobriu
os quatro pontos cardeais
não se ouviu nem mais um ai
e o dia de novo surgiu.

MC

 

publicado por mcarvas às 17:00

Berço

05.11.08


Certo dia um caracol
em seu passo miudinho
trajava um casaquinho
que fazia rir o sol!

Sem se deixar esmorecer
seguia por um carreiro
que o levaria ao terreiro
ao leito que o viu nascer.

Na capaça
um chapelete
que viu sua mãe tecer
que até na cabeça caber
lhe punha um ramalhete.

Envolto em seu pensamento
lá seguia seu caminho
sempre bem devagarinho
sempre tão lentamente.

MC

 

publicado por mcarvas às 16:59

Corredores do poder

22.10.08


As iguarías d'alguns
revestem-se de pratos fartos
luxos, mas fracos actos
deixando outros sem nenhum.
A sociedade de hoje
já está moribunda
só ainda não percebeu
que já é defunta.
A honra já se perdeu
que de valores tudo tolhe
e é nesta premíscua vaidade
que ostentam seus haveres!
Para nada têm deveres
expondo a desigualdade;
Nos corredores do poder
onde amealham gabinetes
pagam favores
cobram fretes
para o poder não perder!...
A sociedade está morta
pejada, de doutos e doutores
a que se perdeu já a conta.
É nesta ferocidade
que vão consumindo o povo
que dia a dia, perde de novo
toda a sua mocidade.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:22

Festa e romaria

16.10.08


Este condado foi um dia
forte porto de partida
sempre que a armada chegava
era festa e romaria.

Das rotas do brasil
trasendo com ela a nobreza
pejada de pedras preciosas
expunham o ócio de perfil.

Das rotas de áfrica trasiam
joias, pratas, mantimentos
muitas gentes por lá ficavam
e pelo cabo das tormentas...

Mas logo também descobriram
a rota que os levou às índias
e de lá também trasiam
tudo que era especiarias.

Mas esse tempo d'àguas mil
a seu tempo viu perder
quando chegaram ao poder
os políticos de abril!...

Desbarataram o país
deixando à sua sorte
os que por lá tentavam a sorte.
Só ganhou com isso quem quis.

MC

 

publicado por mcarvas às 16:43

Forte amizade

15.10.08


Sempre a cantarolar
saltava no largo o petiz
com um ar tão feliz
e um sorriso de encantar.

Hoje, era polícia
com gestos um pouco rudes
punha um ar sizudo
e o nome a todos pedia!

Mas nesta brincadeira
que tão breve se esvaía
logo nova ele via
e p'ra ela ele partia.

Com um sorriso estampado
e os olhitos a brilhar
atrás o cãosito a ladrar
estavam já a entrar no adro.

E nova aventura surgiu
bem no meio do canteiro
à ponta tinha um sobreiro
p'a onde o cãosito fugiu.

E logo ele o chamou
para que não fugisse
ou mesmo dele se perdesse
e a seus pés ele se deitou.

Une-os uma forte amizade!
Brincam juntos todo o dia
semeando alegria
com gestos de cumplicidade.

A brincar lá vão crescendo
e mais amigos ficando
esta é a mais pura verdade
desta força da amizade.

MC

 

publicado por mcarvas às 20:21

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