Negro tão defenido

08.11.08


Dois olhos esbugalhados
surgiram tão de repente
cravaram-se em minha mente
tão belos e enclausurados.

Expunham tantos receios
de um nêgro tão defenido
fizeram-me sentir despido
ao vêr que eram tão meigos.

Tão doces teus olhos negros
que me tomaram de repente
consomem-me lentamente
que saudade poder vê-los.

MC

 

publicado por mcarvas às 14:49

Prazer maior

08.11.08


Um manto me cobriu
de saudade e esperança
na senda da confiança
ousei sorrir, e ele se abriu!

E uma paz me tomou
ao ver-te tão junto, enfim...
esta saudade que há em mim
que tão fundo se implantou.

Não há prazer maior
neste ou noutro mundo
um prazer tão profundo
honrar ser teu portador.

Foi nesse tempo que te vi
e logo ali compreendi
o que é a vida sem ti!...

MC

 

publicado por mcarvas às 14:48

Sobras de primasia

08.11.08


Aflora-se mais um dia
nos requíssos de uma noite
é como encher um pote
das sobras da primasia.

Rejubila o sol em explendôr
cortando as névoas da noite
mesmo que o já não note
bafeja tudo em redor.

Desperta vastos silêncios
que a noite adormeçera
expulsa demónios escondidos

gerados em sua sombra
acolhe os filhos perdidos
tolhidos por seus receios!...

MC

 

publicado por mcarvas às 14:48

Submissão

08.11.08


Na senda de um riacho
vocifera a rainha irada
p'ra formiguinha vergada
ao pêso de enorme facho.

Submissa ao temor
de severo castigo sofrer
esconde a cabeça a tremer
da canseira esconde a dôr.

Nasceu p'ra ser serviçal
numa vida de canseira
deposita receios na ribeira
que rasga o canavial.

Do alto do pedestal
rege a rainha o rebanho
no cimo d'um velho canho
no meio do pantanal.

MC

 

publicado por mcarvas às 14:46

Céu sereno

08.11.08


Um céu sereno se abriu
e o mar bravio se acalmou
nem o vento mais buliu
quando o sonho começou.

Em verdes prados pairava
tão intensa que era a calma
que alimentava a chama
que em golfadas jorrava.

Era tão extensa a luz
que todas as trevas tomou
nem a mais ténue ousou
não se postrar frenta à cruz

E nesse vale de esperança
onde abunda a humildade
floresce forte saudade
no nascer da confiança.

Não há muro nem montanha
que trave esta vontade
poder sentir em verdade
tem uma força tamanha.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:09

Singêla traça

08.11.08


Meu coração polula
ansiando teu regresso
uma chama brota intensa
e em teu peito se enlaça
imprime singela traça
em minh'alma que exulta.

Quan doce o teu regresso
um singêlo despertar
e em teu peito plantar
lírios de encantar
uma vida a começar
não tem dia que o não pense!...

MC

 

publicado por mcarvas às 01:08

Lugar infecundo

08.11.08


Dobro-me sobre migalhas
num qualquer lugar infecundo
espargem olhares incómodos
sob a abóboda de centelhas.

Perdi-me num fausto lauto
de impérios da nobreza
que humilham de tristeza
a pobreza dos incautos.

Alegram-me os sons da noite
e das vozes que não ouço
fazendo ouvidos de mouco
aos pregões do mais afoito.

Nas manhãs frias, vazias
esse turpor não tem fim
apodera-se, germina em mim
emsombrando as maresias!...

MC

 

publicado por mcarvas às 01:08

Odores

08.11.08


Os ventos de outono
com sua graciosa ondulagem
acolchoam a grama de folhagem
em extenso nanto de abono.

Polvilham o ar de aromas
bandos de aves em viagem
enchendo o ar à sua passagem
de um pleno bailado em temas.

Mas por entre densa folhagem
salta o atarefado melro
p'ra ele tudo que vê é novo
sempre afoito à pilhagem!...

Exibe seu bico amarelo
no peito, uma côr mais parda
enquanto a fêmea envergonhada
vai tecendo um novêlo

Que lhes há-de servir de ninho
e quando chocarem seu ôvo
ao mundo virá de novo
que hão-de criar com carinho.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:06

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