Ciranda

09.11.08


Ciranda de rabo preto
que te leva a cirandar?
Será que a côr do luar
não te serve de recato?...

Da noite tiras sustento
rebuscas tocas e ninhos
as barbas, são teu focinho
parco, teu passo lento.

Galgas tantas sacadas
desfiando tantos troncos
estás-me a deixar louico
por entre tanta algazarra.

Teu despertar é tardio
enrrolas-te todo o dia
p'ra descansar da fadiga

não nutris-te a barriga
tua linha é tão esguia
já estás presssa por um fio.

MC

 

publicado por mcarvas às 13:55

Vôos mansos

09.11.08


Oh santos, oh pecadores
oh criadores de venturas
levai-me destes taludes
onde talhei minhas dores.

Vôos brancos possa ter
todos quantos possa querer
poder não voltar a temer
nem tampouco mais sofrer!...

Será pedir demais
que a noite luz, possa ter?
Entre as sombras poder vêr

a força deste meu ser
que insiste em revolver;
Não ser um entre os demais...

MC

 

publicado por mcarvas às 13:55

Portadas fechadas

09.11.08


Colhi ao amanhecer
os saltos de um pardal
entre o muro e o quintal
vê-lo foi um prazer.

Tinha as portadas fechadas
não fosse ainda assustá-lo
foi para mim um regalo
colher seus saltos rasgados!

Um corpinho tão franzino
mas cheio de pretuberância
és dono da maior valência
nesse corpo pequenino.

Defines com subtil mestria
os vôos em que te alongas
nesses momentos prolongas
este penar tão profundo

MC

 

publicado por mcarvas às 13:53

Cisne branco

09.11.08


Cisne branco, cisne branco
oh cisne de poupa esguia
meu caminho, minha via
p'ra outros mundos de pranto.

Trazes contigo lembranças
talhadas no pensamento
geradas em fogo lento
saudosos tempos de criança.

És uno entre os demais
criador da existênciapois
geras forte essência
no vale dos vendavais.

Avivas com teu voar
as dôres de um recordar
colhidas em manto imenso

nesses vastos céus sem par.
Ao vêr-te tudo se adensa...
é minha alma a gritar!.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:19

Fita engraçada

09.11.08


Cantarolando lá ía
pelas pedras da calçada
na trança, uma fita encarnada
desfiando-se em magia.

Quedou-se ao pé da fonte
onde brotavam alecrins
num alvo lençol sem fim
passou bem junto a mim
juncando um ramo ao cagote!

Os risos da passarada
que enchiam o recanto
pregaram folhas em manto
para enxugar o pranto
de seus risos desvairados.

Tão bela aquela flôr
com sua fita encarnada
seu ar a tudo bafeja
era uma fita encantada
fazendo corar de inveja...
Redenção do criador.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:18

Minha pêna

09.11.08


A pêna é minha companheira
a mais fiel confidente
ouve tudo, e também sente
na folha, é sempre a primeira.

Lavra meus sentimentos
com sua ponta aguerrida
gravando em folha fendida
todos os meus pensamentos.

Anda sempre comigo
sempre pronta a me ouvir
sem nunca me resistir
tem a força de um amigo.

Meus desabafos consome
e todos para ela toma
não importa qual a forma

a todos ela anima
desfila-os, até os soma
sempre que a mão a toma.


MC

 

publicado por mcarvas às 01:17

Escuridão d'alma

09.11.08


Soou um som tão estridente
tão forte e tão profundo
saído do fim do mundo
que estremeceu toda a noite.

E logo se pôs tão escura
escondendo a luz do luar!
Sentia-se ao longe um arfar
como quem anda à procura.

Mas a noite era tão escura
de um nêgro encrustado
que por ali ficou perdido
perdido em sua procura.

Essa noite foi tão longa
que as horas eram dias
dias de vidas vazias
nesta espera se prolonga.

MC

 

publicado por mcarvas às 01:16

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