Azas da liberdade

28.11.08


Umas azas encomendei
p'ra no céu poder voar
abrir as portas a exultar
e para bem alto voei!...

Tão longe que não mais parei
para lá do firmamento!
Noutro mundo eu entrei
e, foi por lá que lavei

Os trapos do pensamento..

Mas as nódoas eram tão fortes
que eu não tive essa sorte
nem me livrei desse toemento.

Tão alvo era esse mundo
de uma leveza singular
Vi tanta donzela a saltar
pairando de vez em quando

Ao choro de uma criança
de toda a alma ali chegada
depois de uma vida acabada
vêm sem fé nem confiança.
De tanta alma penada
logo a minha foi escolhida
sem tempo p'ra despedida
neste mundo foi largada.
As minhas azas perdi
por esse cosmo sombrio
onde larguei também o brio
outras tão alvas não vi.
Não mais pude voar
tão grande o pêso da cruz
nem mais eu vi a luz
onde anseio em voltar!...

MC

 

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publicado por mcarvas às 23:34

Reflexo

28.11.08


Do reflexo da janela
de lá tirei a realidade
só lá ficou a verdade
desta saudade que embala!

Mas nesse espelho ficou
a pobreza de um destino
pois é assim que defino
quem por cá já penou.

Pênas, leva-as o vento
quando seu pêso é singelo
onde até um tenro prêlo
as consome sem intento.

Se duras, ficam vergadas...
quem as vier carregar
é uma vida a penar

sem não mais a largar.
Quan difícil acordar
tantos silêncios escondidos!...

MC

 

publicado por mcarvas às 23:33

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