Solfejo

15.10.08


Quero contar à lua
relatos de um encanto
sob socinto manto
de verdade, nua e crua.

A leveza d'um espírito
em frondosa harmonia
alberga em seu séquito
estonteamente euforia.

Sempre em crescendo maior
vai germinando um solfejo
singelo e terno desejo
em cumplicidade menor.

Gestação permente
encejo de novo alento
cai o pano, muda o tempo
verdade desse momento.

Em branco se acomodou
de pureza se vestiu
nada mais lhe resistiu
tudo que queira... lhe dou.


MC

 

publicado por mcarvas às 17:57

Uma gota de orvalho

15.10.08


 Ressalta no arvorêdo
singela gota de orvalho
de tudo ela tem mêdo
e a todos dá trabalho.

De prantos se cobre o prado;
Em seu seio brada a garça
sempre tão cheia de graça
em lamentos do seu fado.

Eis que em frondoso recanto
o melro expõe o seu canto
em tons de euforia e pranto
sobre tão luzídio manto.

De tão grandiosa beleza
ressalta subtíl mistério
entre o demo e o etéreo!...
É força da natureza.
 

MC

publicado por mcarvas às 12:48

Olhinhos pequeninos

14.10.08


Uma borboleta esvoaçou
frágil corpo a pairar
tentando sulcar o ar
e no beiral ela pousou.

Pousou, e p'ra mim olhou
com seus olhitos pequeninos
um corpinho tão franzino
que em meu beiral descançou.

Falou-me da sua vida
e em seu prazer de voar
de todas as flores beijar
e de todas desejada.

As suas azinha bateu
e docemente a elevei
para ela a olhar fiquei
para longe ela voou.

MC

 

publicado por mcarvas às 21:08

Na ponta de uma caneta

14.10.08


Em seu mundo á meia noite
ouvem-se vozes doridas
gritos de almas feridas
que o mais vil mortal não os sente.

São choros, são lamentos
transformados em castigos!
Açoites de um testigo
tempestades de tormentos.

Que põe no papel o poeta
para que toda a gente
saiba o que ele sente
por não atingir sua meta.

O poeta está louco!
Já o dizia o povo
lá está ele de novo
nem se sentia à pouco!...

A noite é como uma seta
sua alma uma pena
espelha sua vida terrena
na ponta de uma caneta.

MC

 

publicado por mcarvas às 17:40

Onda pequenina

13.10.08


Aquela onda do mar
que na praia desmaiava
e nela se enrolava
para não mais a largar...

Enrolada em seus dedos
dançava a pequenina
era sempre traquina
por ter perdido seus mêdos!...

E esta onda pequenina
estava tão enamorada
abraçava sua amada
e era ainda menina.

Mas o destino quiz um dia
que por seus dedos fugisse
e por mais que ela pedisse
tornou-se fria e esguia.

E a pequenina onda ferida
no alto mar se escondeu
nele, ela se perdeu 
nele perdeu a sua sua vida.

MC

 

publicado por mcarvas às 17:21

Ir mais além

13.10.08


P'ra alto mar navaguei
para lavar o meu fado
e quando me vi perdido
por lá, eu me fiquei!...

Tantos caminhos percorri
e novas rotas tentei
onde deram, não sei
só sei que por lá fiquei.

E na espuma me envolvi
tentando ir mais além
mas o mar com desdém

não quis que a onda levasse
e mandou que ali ficasse
e terra não mais eu vi!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:19

Maldizer

13.10.08


O povo já o dizia
ao falar da verdade
não vêr um gesto de amizade
quando alguém maldizia.

Maldizer é modo de vida
para alguns, um grande feito
outros tantos, um defeito
ficar de cabeça perdida.

Mas é com esta alegoria
que vivem os maldizentes
que se intitulam tão crentes

tão nobres de sentimentos
mas em suas mentes dormentes
vivem em grande amargura.

MC

 

publicado por mcarvas às 17:18

Os velhos do terreiro

12.10.08


 Os velhos no terreiro
contam histórias do antigo
buscando nelas o abrigo
com doçes palavras de amigo.

Recordam vidas passadas
labutas, entre canseiras
sem nunca perderem a esteira
da fulgor de suas vidas.

E com brilho no olhar
lá contam suas venturas
conquistas, e desventuras
com uma força de pasmar.

Ao canto o Zé da adega
onde pisavam as uvas
não faltava a uma rusga
já só vê por uma nesga!...

Quase que serra o punho
e o cajado já vergava
ao falar do Zé da cunha
e das ovelhas no restolho!...

Zangas essas mal curadas
que nunca foram esquecidas
que por actos ou palavras
nem no tempo da vergada.

Mas é neste convívio
que se regem nobres gentes
com bons ou maus sentimentos

 
vivem o hoje como d'antes.
recordando esses momentos
que é p'ra todos um alívio.

MC

 

publicado por mcarvas às 21:16

Tomou o céu e o mar

12.10.08


Um manto cobriu o céu
com um carregado cinzento
pronúncio de mau tempo
escondido em seu véu.

Trazendo com ele chuva e vento
mas com ele ali à frente
já germina a semente
que na vida é o fermento.

E neste jogo de contrastes
entre curta e grân beleza
e com a mais pura grandeza
que tudo tem a certeza
e todos também com certeza
que a vida tem duas façes.

A da dôr e a da perda
da bonança e da fartura
no meio, a desventura
de alguma alma perdida.

MC

 

publicado por mcarvas às 21:14

Deus

28.09.08


Deus!
O Teu mar é tão imenso
e o meu barco, é tão pequeno.
Do cimo dos altos montes,
às profundesas mais agrestes
que Tú afagas com teu dedo,
a todos ele mete mêdo.
No seio dos oceanos
onde cultivas tantas espécies
tantos louvores te tecem
mesmo o mais vil dos amos.
Nos vales por Ti plantados
onde floresce a natureza
e abundância em cada mêsa,
há cânticos, e louvores aos anjos
por tão frondosa beleza.
Deus!
O Teu mar é tão imenso
e o meu barco é tão pequeno.

MC

 

publicado por mcarvas às 00:51

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