Caos

10.12.08

 
Dos céus virá o sinal
que a tudo há-de tocar
nada incólume vai ficar
para limpar tanto mal.

Na terra se abrirão
brechas em toda a extensão
e delas então sairam
línguas de fogo em expansão.

O caos e a desordem
vão reinar novo vocábulo
ao se erguer novo século
tomado pela pilhagem.

E os senhores da desordem
que ao caos vão socumbir
sem terem para onde ir
tolhidos por sua voragem.

Quando as chamas tomarem
tudo e todos em plenitude
erga-se então a virtude
que marcará a viragem!...

MC

 

publicado por mcarvas às 23:43

Teu nome

10.12.08


Nas nuvens gravei teu nome
para dar a volta ao mundo
preguei-o com cravos, bem fundo
para não haver quem o tome.

Pintei-o de azul anil
com a tinta de sorrir
e estrelinhas a luzir
juntaram-se-lhe mais de mil!

Dos céus caíu um cometa
que à nuvem se prendeu
ao mundo, mil voltas deu
tão veloz como uma seta.

Em meus braços o deixou
lavado por tanta estrela
qual delas, tú a mais bela
p'ra sempre comogo ficou.

A nuvem p'ró céu voltou
e o cometa então partiu
só esta saudade não caíu
a todo ela me tomou.

MC

 

publicado por mcarvas às 23:41

Renascer

10.12.08


Na penumbra de um dia
sonhou nascer de novo.
Ergueu a voz a este povo
que por onde ia, o seguia.

E o dia nasceu de novo
marcado pela esperança
só lhe falta a confiança
para se erguer de novo!...

Rasgando ideais, silência
a vontade de crescer
são ideais a revolver
os passos de uma infâmia.

Recordar não estar presente
é não viver o passado
o caminho então traçado
p'ra poder seguir em frente.

Que de novo nasça a vida
e presente esteja a chama
que a tudo, a todos inflama
ao achar coisa perdida!...

MC

 

publicado por mcarvas às 23:40

Choupana

04.12.08


Choupana, nome castiço!
Uma imensa terra plana
onde não entra mente insana
tem as feições de feitiço.

Natura de tanta cor
onde um simples escravelho
todo pintado a vermelho
não teme o predador!

Àrvores de grande porte
com côpas tão magestosas
seus troncos são sinuosos
é um chamamento tão forte.

Resistir a este encanto
onde habita vida plena
tão calma e mui serena
seria d'um grande espanto.

Ribeiras tão cristalinas
espraiadas em vendaval
estendem seu avental
com a graça de meninas.

Estações aqui, não tem!
As quatro, rodam n'um dia
a madrugada é mui fria
amenas noites, sabe tão bem.

Sentir a manhã aflorar
num suave bafo quente
que a tarde também o sente!...
Quadro p'ra não olvidar.

MC

 

publicado por mcarvas às 22:57

Impulsos

04.12.08


Era um caminho tão estreito
tão estreito que mal cabia
cobertos de silvas e ervas dúbias
adornando todo regato.

Seguia nele uma cachopa
com um cesto à cabeça
O farnel p'ra por na mêsa
e umas garrafas da cêpa.

Calcorreava aqueles caminhos
várias vezes ao ano
sem nunca lhe causar dano
fosse na monda ou aos ninhos.

Um cãosito muito atrevido
atravessa-lhe o caminho
ralhaou-lhe tão baixinho
com um ar empedernido.

Tropeçou nele e caíu
logo o cãosito ganiu
um palavrão lhe saíu
e o cãosito fugiu!...

Sua maior preocupação
foi o cesto da merenda
que ergueu qual oferenda
à senhora da Conçeição.

Na saia rasgou a renda
e uma mão maltratada
de um impulso foi tomada...

Correu o cãosito à pedrada.
Estava de tal modo irada
que se esqueceu da merenda.

MC

 

publicado por mcarvas às 22:56

Talvez

29.11.08


Há coisa que fazem sonhar
outras que a sonhar fazemos
bons sonhos todos queremos
não mais deles acordar.

Dormindo mesmo acordados
fomenta-mos pesadelos.
Pior mesmo é não tê-los
há de tudo para todos.

Mesmo julgando à partida
que os sonhos são irreais
vida sem els, jamais
é uma pedra consentida.

Realizar alguns, talvez
se eles forem pequenos
os grandes suscitam mêdos
pequenos, só um de cada vez.

MC

 

publicado por mcarvas às 17:47

Pátria

29.11.08


Um pano a esvoaçar
com suas fraldas rasgadas
que a fogo foram forjadas
para ao vento se embalar.

Tinha as côres da nação
alinhadas em castelos
e com um fundo amarelo
sobre um verde de razão!

Um vasto lençol tingido
vermelho, sangue de tantos
e o suor de outros quantos
que a pulso fou erguido.

E esta nação secular
de outrora navegantes
tantos eram os mareantes
com ânsia de o mar sulcar!

A novas paragens rumou
e novos povos descobrir
fazer a nação progredir
e novos mundos fundou!...

Viu-se tão de repente
de seu espólio desgarrada
á lama da rua foi jogada
não mais foi como d'antes.

Ao saque, vieram muitos
tantos quantos lá couberam
e seus haveres lhe tomaram;
Tantos na gula eram afoitos.

Desprezada, ao abandono
sem poder largar um ai
viu-se tomada por generais
que a tornaram num adorno.

A esta paisagem fulcral
que já não teme quem a tome
onde o povo padeçe de fome
foi outrora, um imenso Portugal.

 

MC

 

publicado por mcarvas às 17:46

Dia intemporal

29.11.08


Uma chuva tão fria caía
tornando o ar tão soturno
das névoas saíu um huno
entre o louco e a euforia.

Prazer maior não tinha
que esta benção dos céus
orava a Deuses ateus
desfiando a ladaínha.

Sua essência, um mistério;
Dono de um porte altivo
que neste mundo está cativo
entre o demo e o etéreo.

Com suas crinas douradas
esvoaçando sobre o dorso
fúria de um guerreiro corso
com todo o pêlo eriçado.

Para as névoas ele voltou
p'ra seu refúgio sagrado
não é p'ra todos um agrado
o mito que dele se gerou!...

Meio homem e animal
só pode ser coisa do demo
parido sem qualquer termo
num dia intemporal.

MC

 

publicado por mcarvas às 17:45

Reflexo

28.11.08


Do reflexo da janela
de lá tirei a realidade
só lá ficou a verdade
desta saudade que embala!

Mas nesse espelho ficou
a pobreza de um destino
pois é assim que defino
quem por cá já penou.

Pênas, leva-as o vento
quando seu pêso é singelo
onde até um tenro prêlo
as consome sem intento.

Se duras, ficam vergadas...
quem as vier carregar
é uma vida a penar

sem não mais a largar.
Quan difícil acordar
tantos silêncios escondidos!...

MC

 

publicado por mcarvas às 23:33

Manjar

23.11.08


Perfeitamente alinhados
os vinhêdos prezenteiam
as paisagens que deslisam
por entre montes escondidos.

O outrora verde garrido
expôe um tosco escurecido
que até no tempo ficou perdido
o rebentar do gramido.

Os aromas que enchem o ar
adoçicando a vontade
sentam-se à mesa na herdade
salpicando o paladar.

Rebusca na eira o pardal
os grãos que sobejaram
seja de trigo ou centeio

com manjar se presenteia
são sobras do casario
sortes p'ra este natal!...

MC

 

publicado por mcarvas às 17:15

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